Olho Mágico | A porta
A porta Joana Rozowykwiat Toc toc toc, ela se anunciou. Com o ouvido rente à porta, tentava captar alguma pista. Que novidade se abriria ali, quando alguém girasse a maçaneta? Pensou que toda porta tem em si um mistério. E muitas vezes um encontro. Olhou pelo buraco da fechadura, para ver se reconhecia alguma sombra ou desilusão.Tinha o costume de proteger suas memórias e também de trancafiar os medos. E aporta, aberta, poderia dar-lhes passagem. Mas também poderia revelar algum lugar de sonho, um caminho florido, em que ele viesse em sua direção. A porta estaria ali para protegê-lo, guardá-lo para ela – ou ...
Umbigocêntrico | A duração do sorriso
A duração do sorriso* Thiago Corrêa Na foto estou sorrindo, ela também. Era um sábado de carnaval, estávamos de saída, prestes a subir as ladeiras de Olinda. Ela toda de vermelho e amarelo, eu com chapéu de bobo da corte cheio de guizos nas pontas. É assim que apareço na foto que ganhei dela em um porta-retrato de metal. Hoje ele está enferrujado, empoeirado, perdido no meio de livros e pilhas de papel em cima da minha mesa. Mas a gente continua sorrindo. Os olhares diretos para a câmera indicam que estávamos desafiando o tempo. Através daquela lente, acreditávamos que nossos sorrisos se ...
Crônicas para ler na escola - Ronaldo Correia de Brito
Ronaldo Correia de Brito através do espelho Não faz muito tempo que os olhos da crítica literária eram condicionados a se voltarem à biografia do autor. Era através da vida dele, do seu engajamento político, das suas proezas intelectuais, das suas noias, obstáculos, loucuras, frustrações e amores que as obras eram analisadas. Embora essa prática tenha caído em desuso – com a ascensão das leituras formalistas (que privilegiam mais os recursos estéticos da obra) e dos estudos culturais (que procuram explicar o livro pelo contexto histórico-social em que fora produzido) –, fica difícil não recorrer ao apelo biográfico quando se trata ...
Colunas
Olho Mágico | A porta
Com o ouvido rente à porta, tentava captar alguma pista. Que novidade se abriria ali, quando alguém girasse a maçaneta? Pensou que toda porta tem em si um mistério. E muitas vezes um encontro.

Hoje o porta-retrato está enferrujado, empoeirado, perdido no meio de pilhas de papel em cima da minha mesa. Mas a gente continua sorrindo.

Por detrás da onomatopeia para a queda, explosão ou disparo, Aurélio refletia sobre aquela famosa ventosidade anal acompanhada de ruído.

No início Deco achava que poderia ser interessante viver sozinho, no seu canto, apenas com os vizinhos por perto.
Críticas
Crônicas para ler na escola - Ronaldo Correia de Brito
As crônicas possibilitam uma visão precisa das ideias lançadas pelo autor, com opiniões diretas e interpretações da sociedade contemporânea.

Apesar das marcas do tempo da ditadura militar, quando foram desenhadas, as ironias de Verissimo não ficam enganchadas no tempo.

No livro, o Recife tem lugar de destaque. A cidade é pintada com lembranças afetivas de quem a conheceu sentindo o cheiro de mijo de suas ruas.

Encarar o livro acaba se revelando um exercício de reinvenção de temas batidos como a descoberta da sexualidade, a legalização das drogas e o dilema do que ser quando crescer.





