Amor é prosa, sexo é poesia - Arnaldo Jabor
out 29th, 2008 | Por Thiago Corrêa | Seção: CríticasUm historiador da atualidade
Bastam alguns segundos apenas para saber que Arnaldo Jabor é um dos principais intelectuais do país. Seus comentários no Jornal Nacional valem mais que todo aquele bombardeio de informações, servem como um lampejo de consciência questionando as contradições desse mundo de capitalistas e fundamentalistas. É com esse mesmo espírito crítico que, desde os anos 90, ele vem escrevendo crônicas em alguns dos principais jornais do país e que aqui no Recife, há pouco começaram a ser publicadas pelo Diario de Pernambuco.
Em Amor é prosa, sexo é poesia, estão reunidas algumas dessas crônicas. Ao todo, são 36 crônicas, cada uma com quatro ou cinco páginas, onde Jabor desfia seu inconformismo com o que o mundo se transformou. Sua desilusão carrega nostalgia e provoca saudades de uma época em que havia ideologia, vontade de mudar o mundo e que a felicidade não era “ser desejado, ser consumido, ou entrar num circuito comercial de sorrisos e festas”.
A exemplo do que acontece em A Invasão das Salsichas Gigantes, as crônicas iniciais são mais afetivas. Falam de amor, lembranças dos tempos de criança, segredos de família. São textos mais leves do que o usual, mas nem por isso menos críticos.
Com suas crônicas, ele atua como um historiador da atualidade. O livro serve como um resumo reflexivo dos fatos mais importantes do início deste século, aborda temas como a pedofilia entre os padres, o assassinato dos Richthofen, a arrogância de George W. Bush e a mudança trazida pelos fundamentalistas da Al-Qaeda.
Suas palavras são tão afiadas quanto às navalhas dos antigos malandros do Rio de Janeiro. Jabor sai dando golpes na tentativa de abrir rachaduras na estrutura sócio-político-econômica do país, e assim, fazer com que as pessoas enxerguem por essas fendas a absurda ilusão que estão vivendo.
Boa parte das crônicas é escrita através do recurso de contrapontos. Jabor parece um ser moderno que ainda não se adaptou ao pós-modernismo, à sociedade de consumo, cultura de espetáculos, bundas e peitos siliconados. Sua visão é dicotômica, fica comparando as coisas: amor é isso, sexo é aquilo; antes era assim, hoje é desse jeito. O problema aí é que as crônicas não foram pensadas para serem lidas em conjunto, e sim semanalmente, nos jornais. Reunidas num livro, a leitura acaba se tornando repetitiva. O ideal seria intercalar sua leitura com outra obra.
Thiago Corrêa
lido em Out./Nov. de 2005
escrito em 10.11.2005
: : TRECHO : :
“Amor é um texto. Sexo é um esporte. Amor não exige a presença do ‘outro’; o sexo, no mínimo, precisa de uma ‘mãozinha’. Certos amores nem precisam de parceiro; florescem até mais sozinhos, na solidão e na loucura. Sexo, não – é mais realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade. Amor muitas vezes é uma masturbação. Sexo, não. O amor vem de dentro, o sexo vem de fora, o amor vem de nós e demora. O sexo vem dos outros e vai embora. Amor é bossa nova; sexo é carnaval.” (p. 37, crônica: Amor é prosa, sexo é poesia)
: : FICHA TÉCNICA : :
Amor é prosa, sexo é poesia
Arnaldo Jabor
Objetiva, 1a. edição, 2004
197 páginas
SOU JORNALISTA AQUI EM MONTREAL, SOU APAIXONADA PELO JABOR….APRECIO TD QUE VEM DELE….É UM MONSTRO SAGRADO DENTRO DO JORNALISMO, APENAS É INSUBSTITUÍVEL……
BJ GRANDE JABOR
MARYANNA SOBRAL CARRERAH
É, você sempre me faz pensar sobre suas palavras, realmente, sexo é vontade e passageiro, Amor é eterno mas solitário…. bom podemos amar sozinhos, mas a felicidade vem junto… O amor é busca de prazer sexo é busca de satisfazer. Adorei sua poesia, estarei sempre te visitando
Parabéns Arnaldo !!!!!!!!!!!!!!!! vc é maravilhoso,usa sábias palavras que encanta todo e qualquer leitor.
Em especial ,a crõnica Dias melhores nunca viram me chamou bastante a atenção pelo sentimento atribuído ao texto.Me inspiro em vc quando escrevo .