Minhas Mulheres e Meus Homens - Mario Prata

out 28th, 2008 | Por Thiago Corrêa | Seção: Críticas

Talvez Mario Prata tenha escrito este livro pensando na frase “diga-me com quem tu andas, que te direi quem tu és”. Com a inusitada idéia de usar sua agenda telefônica para escrever a historia de sua vida, Mario Prata além de revelar-se, abre as portas dos bastidores do mundo artístico.

Imagine você saber histórias geradas pela amizade de Mario Prata com Chico Buarque, com Antônio Abujamra, Fernanda Montenegro, Gabriel García Marques ou Martha Suplicy, por exemplo. Enfim, por pessoas que você aprendeu a encará-las não como pessoas normais feito eu ou você, mas como modelos usados para a idealização de uma vida perfeita. Ricos, famosos e inteligentes, pessoas engessadas que não cometem gafes, passam o dia bebendo champanhe na beira da piscina e que só conseguem sorrir se for para uma foto. O que poderia ser um livro de colunistas sociais, revela-se justamente o contrário. Mario Prata corrige essa imagem, desmistifica, dá vida a estas pessoas.

Assim, cada pessoa que estava presente na agenda telefônica do autor tornou-se um verbete onde são contadas histórias que marcaram a amizade e a memória de Mario Prata. Através desses relatos, o autor consegue caracterizar não só a sua relação com as pessoas/verbetes, mas também sua relação com o tempo, desde a infância ao sucesso profissional, fazendo um percurso que remete a importantes fatos da História nacional como a ditadura e a hoje extinta rede Manchete.

Minhas Mulheres e Meus Homens pode ser lido de quatro maneiras diferentes: em ordem alfabética, cronológica, “no banheiro, abrindo onde abrir” ou então seguindo os links dispostos nas margens que indicam a página onde se encontram as pessoas citadas por um verbete.

Geralmente usando diálogos, os verbetes são simples e diretos, simulando a informalidade e descontração existente numa amizade. São histórias comuns, engraçadas e por envolver pessoas famosas, ficam ainda mais atraentes, despertando uma sensação de voyeur. Destacam-se os verbetes Antonio Abujamra, Antonio Prata, Eric Nepomuceno, Toquinho e Badaró, este último por ser a origem do romance Os anjos de Badaró.

Thiago Corrêa
lido em Dez. de 2003
escrito em 07.02.2003

: : TRECHO : :
“Aquilo foi uma injeção de cinco mil calorias no ego dela, no superego e até no alter ego. Há quanto tempo ela não sentia aquela sensação de tesão subindo pelo seu corpo num frenesi? Vinte e cinco anos? Mais? Ficou ali, estática, parada no contrapé da felicidade. Tentou dar um passo e, de novo, o assovio. Ela precisava ver quem era, senão não tinha graça,. Virou-se graciosamente, com o maior charme possível que a cinturinha permitia, Olhou em volta. Nada. Onde estava o galanteador?” (pág. 204, verbete: Rosa Gaúcha).

: : FICHA TÉCNICA : :
Minhas Mulheres e Meus Homens
Mario Prata
Objetiva, 1a. edição, 1999
252 páginas

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Um comentário
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  1. [...] e tradutor Eric Nepomuceno, perguntei a ele sobre um episódio contado por Mario Prata no livro Minhas mulheres e meus homens, em que o autor escreve uma lembrança para cada nome presente em sua agenda [...]

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