O Mundo Perdido - Arthur Conan Doyle

out 28th, 2008 | Por Thiago Corrêa | Seção: Críticas

Faz tempo que não falo mal de um livro. Não é por bondade, mas porque a leitura exige certo esforço, ao contrário de um filme que é só sentar no sofá e assistir. O ato de ler é um filtro, exige paciência, dedicação, tempo. Insistir num livro ruim é tão degradante como continuar a beijar uma mulher feia, mesmo após o fim do efeito do álcool, já estando consciente de que ela realmente é feia. E como me nego a escrever sobre livros que não li na totalidade, a tendência é aparecer mais crítica positiva do que negativa.

Até agora, desde que comecei a escrever resenhar livros, dois títulos foram abandonados – Onze Minutos de Paulo Coelho e Canoas e Marolas de João Gilberto Noll. O próximo seria O Mundo Perdido, só não desisti porque fui obrigado a lê-lo.

Pelo menos no que se refere a esta edição, O Mundo Perdido é um livro ruim, besta e superficial. Muito desse meu incômodo se deve à Companhia Editora Nacional. Se eu fosse Arthur Conan Doyle, criador do detetive Sherlock Holmes, exigiria que a editora recolhesse todos os livros e botasse fogo neles. Os vários erros de digitação são tantos que evidenciam o total descaso com a obra.

A tradução também é outro fator que me incomodou bastante. A leitura vive empacando em termos que, de tão velhos, caíram em desuso e agora aproveitam a aposentadoria nos dicionários. Aí o que a editora faz? Coloca notas de rodapé com a devida tradução. Ora, se fossem termos estrangeiros, sem tradução cabível para o português, tudo bem. Mas como são palavras do próprio português, com sinônimos aceitáveis, por que não substituí-los, traduzindo do inglês para um português moderno, entendível?

Quanto ao conteúdo, não emociona. Conta a história de quatro exploradores ingleses que viajam ao Brasil amazônico para investigar um local onde ainda existem dinossauros e homens-macaco. Por ser um livro de aventura, se dá ao luxo de dispensar um cuidado estético no uso das palavras, e tenta envolver o leitor pela ação, causando angústia, medo, ansiedade. O que não ocorre em momento algum. Talvez funcione com pré-adolescentes.

A leitura, contudo – pelo menos pra nós, brasileiros – não é um desperdício. Por mais questionável que seja o Brasil construído por Conan Doyle, propicia uma reflexão sobre a imagem do nosso país no exterior. Se formos analisar criticamente, percebemos que há um discurso hegemônico por trás, que nos revela um país atrasado e desconhecido por nós mesmos. Afinal, foi preciso um grupo de exploradores estrangeiros para que o “Mundo Perdido” fosse descoberto.

Nas entrelinhas, os brasileiros ou são considerados traidores e vingativos (onde homem bate em mulher), ou pessoas submissas, que, incapazes de resolverem seus próprios problemas, imploram por ajuda estrangeira, endeusando tudo aquilo que vem de fora. O que infelizmente tem seu fundo de verdade, basta pensar na dependência que temos de órgãos como o FMI e o Banco Mundial.

Outro exemplo dessa relação de poder é quando os exploradores passam a batizar espécimes e acidentes geográficos que encontram, distribuindo nomes – Terra de Mapple White, Lago Gladys – de acordo com suas vontades, sem a mínima consideração com a vida indígena já existente ali. O que também não é tão descabido assim, quando pensamos nos laboratórios estrangeiros roubando e patenteando receitas indígenas.

Thiago Corrêa
lido em Mar. de 2005
escrito em 19.03.2005

: : TRECHO : :
“Há curiosas profundidades de selvageria na alma do homem mais civilizado. Eu sou a natureza sensível; em minha casa nunca me atrevi a matar uma galinha nem um coelho; mas, ali, foi com verdadeiro gozo que fuzilei aquelas criaturas semi-humanas, visando de preferência o crânio para ter certeza de matar. Atirava urrando de ferocidade, rindo de alegria bárbara. Com os nossos quatro rifles, eu e Lorde John, fizemos terrível morticínio” (p. 76)

: : FICHA TÉCNICA : :
O Mundo Perdido
Arthur Conan Doyle
Trad. Alípio Correia de Franca Neto
Companhia Editora Nacional, 1a. edição
104 páginas

Tags: , , ,

13 comentários
Comente »

  1. to leno esse livro muito mala, nao tem aventura!por isso tou atraz do resumo ;D

  2. noossa , ameei oqe vs falo do livroo , fooi tudo verdade , livro xato , seem noção , pra miim perca de tempo . “por isso tô atras de um resuumo”

  3. adoro le, mais n vo te tempo de le ate 5ª pra um resumo pra sexta (a megera da professora de portugues (sendo que ela e diretora da escola) mando faze) so consegui a xerox ontem a noite e pelo q ouvi o livro e uma droga alguem me da um site com o resumo q a megera mando faze.

  4. esse livro e d+ quem fala q e chato e porque nao gosta de ler

  5. 1º ponto:

    O livro foi escrito no final do século 19. Se você ainda souber contar, isso significa em meados de 1900.

    2º ponto:

    Os comentários aqui devem ser de pessoas bem entendidas em português.

    “to leno esse livro muito mala, nao tem aventura!por isso tou atraz do resumo”

    ["to leno"? "atraz"?]

    noossa , ameei oqe vs falo do livroo , fooi tudo verdade , livro xato , seem noção , pra miim perca de tempo . “por isso tô atras de um resuumo”

    ["oqe vs falo"? "xato"? "perca"? "atras"?]

    adoro le, mais n vo te tempo de le ate 5ª pra um resumo pra sexta (a megera da professora de portugues (sendo que ela e diretora da escola) mando faze) so consegui a xerox ontem a noite e pelo q ouvi o livro e uma droga alguem me da um site com o resumo q a megera mando faze.

    ["adoro le, mais n vo te tempo de le ate 5ª"? [nota-se] “professora de portugues”? “mando faze”?]

    Cara, vocês gostam tanto de ler, que criaram uma língua nova…
    Meu poupem desses comentários idiotas e apaguem a merda desse tópico!

  6. este livro e uma bosta de ler mais nao tenho outra opsao a proff de potugues nos obriga porisso quero so o resumo do livro

  7. Emano, você merece um prêmio.
    Para uma pessoa que escreve tão ruim como você, ler deve ser realmente um sacrifício.

    Eu já pedi, apaguem a merda desse tópico!

  8. noooossa q livro chato nao tem de bom porisso estou procurando o resumo

  9. o livro é mto bom pra quem gosta de aventuras, só é chato pra quem gosta de porcaria tipo” marley e eu”, coisinha chata historinha de cachorro, q horror! coisa mais melosa q eu já li, nem tive o desprazer de terminar de ler.

  10. Não tenho o que comentar porque não li o livro. Gostaria de saber onde encontro o livro para poder comprá-lo. Não encontro em nenhum lugar. Nem em sebos aqui do RJ.

  11. bando de adolescente vagabundos, lerdos e sem noção; não sabem nada de nada, criados em shoping centers e festinhas ridículas, não conhecem um paque nacional, nada do mundo que não flua pela TV ou Internet; bando de boçais que não gostam de leitura, analfabetos sobre o Brasil, América Latina e mundo que, quando topam com uma grande obra escrita no passado não são capazes de unir as pontas e procurar a história por trás de tudo; perdidos, idiotas, futuro do Brasil

  12. este livro caralho toma nu cu porra

  13. Qual é o problema dessas pessoas?
    Gosto pra livros não se discute. Cada um gosta do que gosta e pronto. PONTO FINAL.
    E o pessoal que escreveu comentários aqui realmente não tem nenhuma noção do que é aula de português.
    Se os estrangeiros pensam que somos um bando de índios nus que caçam com zarabatanas temos que mostrar pra eles que não é bem assim. Mas, do jeito que anda o português de alguns…
    O fato é que algumas pessoas do Brasil regridem, e não progridem. Esse é o grande problema do nosso país: pessoas sem um pingo de inteligência, medíocres, boçais e (ainda por cima) analfabetas que pensam estar acima dos outros.

Comente