O Opositor - Luis Fernando Verissimo

out 29th, 2008 | Por Thiago Corrêa | Seção: Críticas

O dedo de Verissimo

É comum ouvirmos os termos ironia, humor e simplicidade para classificar a obra de Luis Fernando Verissimo. São características que permeiam seus contos e crônicas. Porém, em se tratando do Verissimo romancista, outros termos também podem ser usados – mistério, intrigas, conspirações e assassinatos.

É assim em O Opositor, livro que faz parte da coleção Cinco Dedos de Prosa, lançada pela editora Objetiva, que, além de Verissimo, reúne Mario Prata, Fernanda Young, Carlos Heitor Cony e Moacyr Scliar; cada um responsável por um dedo da mão. O Opositor é o encarregado do polegar.

Nele, Verissimo segue o mesmo estilo de seus dois romances anteriores, Borges e os Orangotangos Eternos e Clube dos Anjos. No primeiro, o autor constrói uma intrincada trama envolvendo um assassinato que acontece durante um encontro de especialistas na obra de Edgar Allan Poe. Em Clube dos Anjos, conta a história de um grupo de amigos que se reúnem mensalmente para se entregarem aos prazeres da gula, e, após acharem um misterioso cozinheiro, os amigos vão morrendo um a um, a cada encontro.

Agora, em O Opositor, Verissimo nos traz um jornalista de São Paulo que, enviado a Manaus para uma reportagem sobre ervas alucinógenas, entra num boteco e é abordado por um homem alto com cara vermelha que diz: “Existem 21 maneiras de se matar alguém só com as mãos. Conheço todas” (p. 10).

A primeira impressão é que ele é apenas um desses bêbados chatos que só querem beber as custas dos outros, mas ele tem uma história extraordinária pra contar. O homem é Jósef, o Míssil. No bar é conhecido por Polaco. Sua história é sobre uma missão que recebeu do Grupo Meierhoff, formado pelas 4 organizações que controlam o mundo e que são donos de 73% das riquezas da Terra. A missão consistia em matar o arrependido Dr. Curtis, criador de um vírus espalhado no Congo, que deveria conter o crescimento populacional, exterminando as raças desnecessárias, os miseráveis e as bocas supérfluas.

Da mesma maneira como acontece nos dois outros romances, O Opositor parece reunir vários elementos de mistérios, conspirações e lendas urbanas espalhadas pelos místicos de internet. Verissimo junta teorias sobre a origem da Aids, o polegar de Fra Angelico e os desenhos no chão da Catedral de Chartres para construir sua trama de assassinatos e intrigas internacionais. Os intertextos são tão bem costurados que fica difícil dizer o que realmente é criação de Verissimo.

Além dos mistérios e intertextos, as semelhanças entre os três livros não param por aí. Os três são narrados por personagens que nutrem alguma ligação com a literatura e todos eles se dizem autores dos respectivos livros. Neles, Verissimo volta ao estilo que consagrou seu personagem Ed Mort, unindo humor e mistério, só que nos romances, as tramas são mais complexas e intrigantes.

Thiago Corrêa
lido em Abr. de 2005
escrito em 01.05.2005

: : TRECHO : :
“O vírus seria uma arma de extermínio, para ser usada na defesa da civilização branca ocidental da maior ameaça que a esperava, no futuro: a superpopulação do mundo, a proliferação das outras raças, a bomba demográfica que acabaria sugando todos os recursos vitais do planeta.” (p. 36)

: : FICHA TÉCNICA : :
O Opositor
Luis Fernando Verissimo
Coleção Cinco Dedos de Prosa - Polegar
Objetiva, 1a. edição, 2004
140 páginas

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2 comentários
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  1. [...] Luis Borges em Borges e os orangotangos eternos (2000) para a Literatura ou morte, o polegar em O Opositor (2004) para a Cinco Dedos de Prosa e fez uma releitura da comédia Noite de reis em A décima [...]

  2. eu queria o livro opositor

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