Olho Mágico | Junto com meu samba

out 27th, 2008 | Por Joana Rozowykwiat | Seção: Olho Mágico

Junto com meu samba
Joana Rozowykwiat

Não deixe o samba morrer. A frase não era apenas cantada, mas vivida em toda a sua súplica - ali, no movimento dos lábios, da língua, dos quadris e principalmente dos braços, abertos, a abraçar aquela família, uma comunidade de bailarinos efêmeros, e tudo mais que existe sob a imensidão negra da madrugada.

E nós, os amigos, os cúmplices, sabíamos a importância das palavras, daquelas palavras, ditas assim, com toda a intensidade, um sorriso de comoção em nossos rostos. A certeza de que, naquele momento, só dependia de nós e, sim, nós iríamos clamar, se preciso até o fim. Não deixe o samba acabar.

Entre brindes, simpáticas evoluções e toda a sensação de que carregaríamos aqueles instantes na pele, suada, confraternizamos. Éramos todos felizes, eternos e inseparáveis pela perfeição de um momento. Nós e os adoráveis estranhos, todos lindos, contaminados pelo mesmo estado de espírito. Irmanados em uma só constatação: viver era aquilo.

A partir dali, levaríamos nossos sambas conosco, todo o tempo, a toda hora, bem rente ao peito, bem ofertado a todos.

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