O frevo - José Teles
abr 20th, 2009 | Por Thiago Corrêa | Seção: CríticasA História de um povo através do frevo
No alto do seu centenário, o frevo possui muito mais motivos para se identificar com a cultura pernambucana do que o fato de servir de trilha sonora para comerciais do Governo na época do carnaval. Ao analisar sua trajetória, no livro O Frevo: Rumo à Modernidade, o jornalista e crítico musical José Teles mostra que a história do ritmo se confunde com a própria formação do conceito de pernambucanidade.
Fruto do concurso de ensaios promovido no ano passado pela Fundação de Cultura Cidade do Recife, o livro dá a oportunidade de seguir o caminho do frevo e perceber o cheiro de mofo que entranha muitos dos debates que ainda acirram os ânimos dos pernambucanos.
Com uma linguagem fluída – embora apresentando momentos de pressa, onde alguns pontos poderiam ser mais aprofundados –, Teles resgata discussões provocadas em torno do ritmo, como as disputas entre o popular e o erudito, o ranço puritano em oposição ao caráter miscigenatório que deu origem ao próprio frevo e um misto de protecionismo bairrista contrário a estrangeirismos com um pouco de complexo de inferioridade.
Assuntos esses que voltariam aos jornais durante o surgimento do Tropicalismo, do Manguebeat, da proliferação de bandas indie e ainda pautam bate-bocas futebolísticos. No histórico do frevo, também constam aspectos mercadológicos sobre a importância da divulgação para a música, por meio da produção de discos, do rádio e de políticas públicas.
Ainda que não possua a mesma solidez da bíblia Do Frevo ao Manguebeat, também escrito por Teles, o ensaio tem sua importância ao levantar alguns pontos importantes da história do frevo. Com base no arquivo de jornais da época, o jornalista resgata personagens como o americano Joseph Prior Fisch – fundador da Federação Carnavalesca de Pernambuco -, das intrigas entre Nelson Ferreira e Capiba, além de explicar a origem das sombrinhas como indumentária dos passistas.
Thiago Corrêa
lido em Jun. de 2008
escrito em 09.06.2008
: : TRECHO : :
“Em 1960, o frevo predominou nos salões e nas ruas, graças à divulgação eficiente da Mocambo, que não apenas trabalhava os discos quatro meses antes do carnaval, como distribuía, gratuitamente, entre as orquestras, as partituras das músicas gravadas” (p. 53).
: : FICHA TÉCNICA : :
O Frevo: Rumo à Modernidade
José Teles
Fundação de Cultura Cidade do Recife
1a. edição, 2008
91 páginas
quer merda eu quero uma coisa e aparece outra