Filme | Medo e Delírio

abr 9th, 2011 | Por Thiago Corrêa | Seção: Blog

Certas coisas você precisa fazer na hora, no mesmo instante que lhe dá vontade. Não adianta adiar, porque aí você corre o risco de perder a sintonia que te fez querer aquilo de uma forma tão instensa. Quando isso não acontece, o tempo age na memória pra manter essa vontade. A distância que nos separa de determinadas lembranças acaba funcionando como um filtro, como um ruído que faz com que a gente crie expectativas e impressões que nem sempre batem com a dimensão do fato.

Encontrei mais uma prova disso ontem, quando finalmente consegui assistir a Medo e Delírio. Desde a época em que eu cursava turismo, venho ouvindo falar desse filme. Ele entrou na minha lista de desejo, virou cult sem eu nunca tê-lo assistido. E a cena dos morcegos, que lembro de já tê-la visto em alguma festa, era mais do que suficiente pra me fazer querer assistir ao resto.

Nesse embalo, enquanto não encontrava o filme nas locadoras, fui me preparando. Descobri quem era Hunter S. Thompson, conheci o jornalismo gonzo e me diverti bastante com a leitura do livro Medo e Delírio em Las Vegas, o que só fez aumentar minha vontade em assistir a versão pro cinema feita pelo diretor Terry Gilliam.

Mas parece que os preparativos da espera nesse caso não fizeram bem ao filme. Reconheço que as cenas sobre as viagens de ácido, onde o personagem de Johnny Depp vê pessoas como lagartos, são impagáveis. No entanto, o filme apresenta o mal do excesso de narração, problema comum a várias obras que são adaptadas da literatura. O filme de Terry Gilliam fica preso ao livro, não permite que as imagens se livrem das palavras e isso me deu a impressão que havia uma barreira me impedindo de mergulhar na doideira dos personagens. Por já ter lido o livro, fiquei com a impressão que não se tratava de uma adaptação, mas de uma versão animada da obra de Hunter S. Thompson.

E pior, fiquei com a impressão de que me tornei um velho ranzinza e exigente, incapaz de voltar a sentir algo que me fascinou uns dez anos atrás.

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