Angu de Sangue – Marcelino Freire

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[learn_more caption=”PRÓLOGO” state=”open”]

Autor: Marcelino Freire nasceu na cidade de Sertânia, interior de Pernambuco, em 1967. É um dos principais nomes da geração consolidada através das antologias da Geração 90. Entre seus livros, se destacam Nossos ossos (2013) e Contos Negreiros (2005), pelo qual venceu o Prêmio Jabuti de contos.

Livro: Angu de Sangue reúne 17 contos, embalados num projeto gráfico de Silvana Zandomeni, com papel couchê, fotos de Jobalo, cores, desenhos, arte visual. A apresentação é do crítico João Alexandre Barbosa.

Tema e Enredo: Assim como em seus outros livros, Marcelino Freire dá voz aos que vivem à margem da sociedade, oferecendo – por meio de situações de violência e miséria – uma perspectiva de estranhamento ao nosso cotidiano.

Forma: Literatura com tendência experimental e temática provocativa, com preocupação mais estética do que narrativa.

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[learn_more caption=”CRÍTICAS” state=”open”]

Descobri Angu de Sangue através da sua adaptação teatral. Na ocasião, fiquei chocado, envolvido, deslumbrado com a selvageria da loucura do submundo, fruto do caos urbano em que vivemos.

Reunindo 17 contos, com um projeto gráfico bem trabalhado, papel couchê, fotos, cores, desenhos, arte visual e uma literatura com tendência experimental e temática provocativa, Angu de Sangue não deixa de ser um livro interessante.

Talvez eu é que não tenha escolhido uma boa hora para lê-lo: ainda sob influência da peça, com frases e imagens ecoando na memória. Assim, sem as surpresas do ineditismo de algumas histórias e sem os recursos dramático-visuais da peça, acabei me decepcionando com o livro.

Achei as palavras presas às páginas, sem conseguir evocar a dor, a emoção, a raiva. Foi como assistir alguém inexpressivo lendo as histórias. As palavras ficaram vazias, incapazes da revolta, da sujeira que saía da boca dos atores. No máximo uma ira de adolescente para chamar a atenção dos pais.

O grande problema de Angu de Sangue foi tratar as palavras com um caráter mais estético do que narrativo. Sua oralidade é estilística, não busca a fluência, a naturalidade da fala. Marcelino Freire faz uma espécie de prosa poética fora de sintonia com o tema de suas histórias. Ele faz questão de ter rimas, mesmo que sejam sofríveis. Utiliza símbolos, espaços, experimenta novas maneiras de se fazer literatura, mas deixa seus recursos expostos como num filme trash em que os efeitos especiais ficam à mostra.

E o engraçado é que mesmo com este ímpeto de sair da mesmice, o autor acaba caindo na repetição. Usando a mesma fórmula para histórias diferentes (Belinha, Moça de Família, Volte outro dia e Sentimentos), potencializa o final como o ponto de equilíbrio e sustentação da história, o que nem sempre acontece.

Lido em Jun. de 2004

Escrito em 14.06.2004

[author][author_image timthumb=’on’]http://www.vacatussa.com/wp-content/uploads/2014/03/Thiago-Corrêa-Foto-de-Ale-Ribeiro-3.jpg[/author_image] [author_info]Thiago Corrêa

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Currículo: Jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela UFPE.

Relação com o escritor: Como jornalista e crítico, tenho acompanhado o trabalho de Marcelino Freire desde Angu de Sangue, o que sempre nos faz entrar em contato para entrevistas. [/author_info] [/author] [/learn_more] [learn_more caption=”FICHA TÉCNICA” state=”close”]

Angu de Sangue

Marcelino Freire

Ateliê Editorial

1a. edição, 2000

134 páginas

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[learn_more caption=”TRECHO” state=”close”]

“É coisa muito boa, desperdiçada. Tanto povo que compra o que não gasta – roupa nova, véu, grinalda. Minha filha já vestiu um vestido de noiva, até a aliança a gente encontrou aqui, num corpo. É. Vem parar muito homem morto, muito criminoso. A gente já está acostumado. Quase toda semana o camburão da polícia deixa seu lixo aqui, depositado. Balas, revólver 38. A gente não tem medo, moço. A gente é só ficar calado.” (p. 25, conto: Muribeca)

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Teatro

Os contos de Angu de Sangue foram levados ao teatro pelo Coletivo Angu de Teatro. Com direção de Marcondes Lima, o espetáculo estreou em 2004 e recebeu prêmios de Melhor Espetáculo do Júri Popular, Melhor Ator Coadjuvante (Fábio Caio) e Melhor Atriz Coadjuvante (Hermila Guedes) no XI Festival Nordestino de Guaramiranga. No ano seguinte, a montagem ganhou os prêmios de Melhor Espetáculo, Melhor Direção (Marcondes Lima), Melhor Iluminação (Jatyles Miranda) e Melhor Ator (Fábio Caio) no Festival Janeiro de Grandes Espetáculos.

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Do mesmo autor

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Entrevista

Entrevista de Marcelino Freire ao Vacatussa (julho de 2014)

Links relacionados

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Sobre o autor

Jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela UFPE, onde desenvolveu pesquisa sobre narrativa em literatura eletrônica. É um dos fundadores do Vacatussa, integrou a equipe do programa de rádio Café Colombo, passou pelas redações dos jornais Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco.

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