Todos os textos desse autor

Olho Mágico | A porta

out 17th, 2011 | Por Joana Rozowykwiat | Seçao: Destaque, Olho Mágico


Com o ouvido rente à porta, tentava captar alguma pista. Que novidade se abriria ali, quando alguém girasse a maçaneta? Pensou que toda porta tem em si um mistério. E muitas vezes um encontro.



O caminho de Los Angeles - John Fante

out 30th, 2008 | Por Joana Rozowykwiat | Seçao: Críticas

Arturo Bandini, personagem que permeia os principais romances de John Fante, “era muito errático”. E, aos 18 anos, todas as contradições do mundo fervilhavam na sua cabeça, exacerbando sua vocação transgressora. Possivelmente por isso, O caminho de Los Angeles, apesar de ser o primeiro livro escrito pelo autor ítalo-americano, só foi publicado após sua morte. [...]



Revista #2 | Só Sílvia - Joana Rozowykwiat

out 29th, 2008 | Por Joana Rozowykwiat | Seçao: Revista #2

Só Sílvia
Joana Rozowykwiat
Sentia a areia debaixo dos pés e as estrelas acima de tudo. Havia bebido duas garrafas de vinho. Sozinha e descalça no breu. Não por falta de companhia, mas de compaixão. Saiu sem dizer o destino e adorou. Estava agora a se divertir, catando recordações e contando alto para ninguém ouvir. Gargalhava olhando [...]



Olho Mágico | Junto com meu samba

out 27th, 2008 | Por Joana Rozowykwiat | Seçao: Olho Mágico

Junto com meu samba
Joana Rozowykwiat
Não deixe o samba morrer. A frase não era apenas cantada, mas vivida em toda a sua súplica - ali, no movimento dos lábios, da língua, dos quadris e principalmente dos braços, abertos, a abraçar aquela família, uma comunidade de bailarinos efêmeros, e tudo mais que existe sob a imensidão negra [...]



Olho Mágico | Revisitando

out 27th, 2008 | Por Joana Rozowykwiat | Seçao: Olho Mágico

Revisitando
Joana Rozowykwiat
Eles se encontraram em um inverno chuvoso de algum lugar no futuro. E ao reconhecê-lo, ela só lembrava de um dia ter me dito Ele é a pessoa mais especial que existe nessa cidade. Mas a vida dela cresceu, junto com seus cabelos e suas responsabilidades, e já não cabia naquela cidade.
Para lá dessas [...]



Olho Mágico | Você, por mim

out 27th, 2008 | Por Joana Rozowykwiat | Seçao: Olho Mágico

Você, por mim
Joana Rozowykwiat
Venha bem devagarzinho e sente aqui, com a cabeça bem virada pra mim, que é para eu saber dos teus olhos em mim. Que é para eu saber de ti. Porque quando tuas jabuticabas rolam para longe nem me venha falar de amores, que nós sabemos ser tudo disfarce. É tristeza e [...]



Olho Mágico | O dia em que Dudu atravessou a rua

out 27th, 2008 | Por Joana Rozowykwiat | Seçao: Olho Mágico

O dia em que Dudu atravessou a rua
Joana Rozowykwiat
 
Carros, motos, ônibus e caminhões avançavam, soltando fumaça pelas ventas, raivosos, buzinavam. Mas ele ziguezagueou e chegou ao outro lado inteiro. De cuecas, atravessou a avenida. Levava consigo uma fraldinha velha, quase um farrapo, a chupeta cor-de-rosa amarrada na ponta - tinha sido da irmã, Shirley.   Na [...]



Olho Mágico | Sábado à noite

out 27th, 2008 | Por Joana Rozowykwiat | Seçao: Olho Mágico

Sábado à Noite
Joana Rozowykwiat
Ela entrou, esfuziante. Do cantinho do bar, eu a observei abraçar a todos, dar risadas, pedir um drinque qualquer e sentar-se de pernas cruzadas e cruzadas de novo. Só ela sabia enroscar as pernas assim. Tinha essa energia que deixava tudo com cara de sábado à noite. Era sábado à noite, mas [...]



Olho Mágico | Quase-homens

out 27th, 2008 | Por Joana Rozowykwiat | Seçao: Olho Mágico

Quase-homens
Joana Rozowykwiat
Pareciam três homens numa mesa de bar. Eram, no entanto, crianças. Sim, porque não entendiam nada da vida, deslumbravam-se com pequenas descobertas e despencavam às primeiras desilusões. E ontem era dia de ir ao chão, rastejar rente ao roda-pé, sem forças para erguer-se, tampouco para pronunciar uma palavra sequer.
Olhavam para copos vazios, ocos eles [...]



Olho Mágico | Bromélias

out 27th, 2008 | Por Joana Rozowykwiat | Seçao: Olho Mágico

Bromélias
Joana Rozowywiat
Ele era muito jovem e tinha uma plantinha de estimação. Era só isso que eu podia ver, daqui do outro prédio. Sempre que ficava até tarde no computador, assistia ele, assim meio descabelado, regar demoradamente o vaso que, pela silhueta, abrigava uma bromélia.
Eu adoro bromélias, acho exuberante. Se bem que a dele nem devia [...]