Cansadas

0

As pessoas ao meu redor estão todas meio desanimadas. Em maior ou menor medida, se arrastam pelos dias, à espera de que as coisas parem de piorar. E, de alguma maneira, isso tem estado muito presente em todo o processo criativo de Olho Mágico.

E, se tem sido difícil para todos, para nós, mulheres, é bem mais. Em geral, trabalhamos mais, estudamos mais, ganhamos menos, temos que cuidar da casa, dos filhos e idosos (quando eles existem), da beleza. E nem podemos perder a paciência, porque aí somos meio histéricas e, com certeza, devem ser os hormônios, não é?

Muitas têm que lidar com as dificuldades de alguns homens de se expressar, demonstrar afeto, se envolver, ter empatia. Com aqueles que foram criados para repetir um padrão de masculinidade que deve ser bem nocivo para eles, mas que no dia a dia pesa tanto sobre as mulheres…

São questões que não estão explicitamente nos contos de Olho Mágico, mas que permeiam vários textos, de forma mais ou menos singela.

Compartilhe

Sobre o autor

É jornalista e, há mais de uma década, desenvolve paralelamente projetos de literatura. Cursou a oficina literária do escritor Raimundo Carrero, tem textos publicados em suplementos literários, sites e na coletânea Recife conta o Natal, editada pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife, em 2007. Ajudou a fundar, em 2004, o coletivo literário Vacatussa que, desde então, tem se dedicado a estimular, analisar e divulgar a produção dos escritores. Participou, na condição de convidada, de eventos como o Festival a Letra e a Voz e a Fliporto. Como jornalista, escreveu o livro-reportagem Subversivos: 50 anos após o golpe (Cepe, 2014).

Comente!