Quarto de Hóspedes

Quarto de Hóspedes | desbunde - Líria Porto

out 27th, 2008 | Por vacatussa | Seçao: Quarto de Hóspedes

desbunde
líria porto
olha-se ao espelho
requebra-se de lado
e o velho diabo
redunda abundância
pra que dividir
pra que repartir
se a bunda já veio
partida ao meio?
o espelho advoga-a
dá seu veredicto
o que abunda
não atrapalha



Quarto de Hóspedes | Pra não sentir (auto) piedade - Nina Rizzi

out 27th, 2008 | Por vacatussa | Seçao: Quarto de Hóspedes

Pra não sentir (auto) piedade
Nina Rizzi
quero uma tarde de vento. ventania. um tornado. leve. que me leve ao chão
quero machucar o joelho. joelhos. terra carne sangue vento. minhas compras ao chão a encontrar novos livros.
quero o cuidado de mãos estrangeiras. desconhecidas. um apartamento num prédio antigo. quem sabe um café de esquina.
quero uma poesia arrancada. [...]



Quarto de Hóspedes | Refeição - Conrado Falbo

out 27th, 2008 | Por vacatussa | Seçao: Quarto de Hóspedes

Refeição
Conrado Falbo
Antes de mais nada, convide o vento para entrar. De leve. Sem precisar abrir as cortinas, mas com cuidado para não cobrir a vista da janela. Quando a manhã amadurecer sonolenta e começar a pedir planos para mais tarde, já está na hora de iniciar o preparo das entradas. Enquanto isso, algum vinho transparente [...]



Quarto de Hóspedes | Pássaros paroxítonos - Rodrigo Pinto

out 27th, 2008 | Por vacatussa | Seçao: Quarto de Hóspedes

Pássaros paroxítonos
Rodrigo Pinto
Algumas vezes me disperso,
Então eu me perco de mim.
Meu corpo está comigo, é certo,
Contudo, eu não estou aqui.
É quando o texto de minh’alma
(Atomizada) sobe ao ar,
Em vocábulos (aos milhares)
Voltívolos e sem sintaxe.
Voando, voando sem norte,
Em suspensão, sem paradeiro,
Ao gosto da sorte e do vento.
Voando, voando no ar-
co imenso de um azul risonho,
como pássaros [...]



Quarto de Hóspedes | Sorrir e escovar os dentes - Alan Oliveira

out 27th, 2008 | Por vacatussa | Seçao: Quarto de Hóspedes

Sorrir e escovar os dentes
Alan Oliveira
Abro os olhos. É meio dia. Levanto-me da cama. Roupas espalhadas pelo quarto. Vou até o banheiro e procuro um remédio para dor de cabeça. A caixa está vazia. Procuro as chaves do carro. Encontro! Desço pelo elevador e vou até a garagem buscar o carro. O portão está fechado. [...]



Quarto de Hóspedes | Vinho - Rodrigo Martins

out 27th, 2008 | Por vacatussa | Seçao: Quarto de Hóspedes

Vinho
Rodrigo Martins
ela prende o fôlego e derrama o vinho
derruba o copo
derruba o corpo
tudo em volta se contorce
e ela cai
mancha a mesa, escorre pelo canto
pulsa em pingos
voando ao chão
o tinto corre
se liquefaz
o cheiro do álcool inebria
toda a sala
se embriaga
no ritmo de uma vaga
ela jazz
atura a fumaça e a luz do néon
anula a carne das veias
a garrafa [...]



Quarto de Hóspedes | Asfalto - Germano Rabello

out 27th, 2008 | Por vacatussa | Seçao: Quarto de Hóspedes

Asfalto
Germano Rabello
Atravesso o asfalto com meus passos
E os meus pés estão sangrando
Porque eu sambei
Sambei demais na avenida
E oh meu deus oh meu deus oh meu deus
Estava de salto alto.



Quarto de Hóspedes | Do “resolvi tentar” ao 401 - Marcelo Corrêa

out 27th, 2008 | Por vacatussa | Seçao: Quarto de Hóspedes

Do “resolvi tentar” ao 401
Marcelo Corrêa
Resolvi tentar. Acabo de ler uma chamada para quem desejar participar do Vacatussa #4. Lá diz que não há tema específico, que se pode escrever sobre o que quiser.
Abri o Word. Ajeitei-me na cadeira. Olhei para a página em branco que se alojou diante dos meus olhos. “Pronto! Agora é [...]



Quarto de Hóspedes | Receitas - Deco Vicente

out 27th, 2008 | Por vacatussa | Seçao: Quarto de Hóspedes

Receitas
Deco Vicente
Para paquerar
O supermercado, mais ainda que as boates da moda, é o melhor local para arrumar um rabo-de-saia. Prefira o Hiper ou Pão de Açúcar. Carrefour e demais só têm jaburu entre as prateleiras. Posto isso, segue uma pequena lista de procedimentos:
- Compre frutas:
Lembre-se que as mulheres de hoje em dia não são mais [...]



Quarto de Hóspedes | Ninguém em casa - Diogo Monteiro

out 27th, 2008 | Por vacatussa | Seçao: Quarto de Hóspedes

Ninguém em casa
Diogo Monteiro
Nasceu para passarinho, mas não lhe vieram as asas prometidas. A princípio, não entendiam a sua forma silenciosa. Mesmo seu choro era mudo - não berrava, os sulcos dos lábios eram a prisão do grito. Na idade em que todos os outros arriscavam palavras como um brinquedo novo, aprendia outros jogos: olhava [...]