Nome Próprio | ovo
set 21st, 2009 | Por Julieta Jacob | Seçao: Nome Próprio
Não importa de onde o olhar venha: / da esquerda ou da direita, / não há mistério nem senha. / A palavra é uma só, está feita.

Não importa de onde o olhar venha: / da esquerda ou da direita, / não há mistério nem senha. / A palavra é uma só, está feita.

Fiquei imaginando minha cidade sem violência, com pedestres sorridentes e apressados, motoristas destemidos e jovens que pedem, mas não assaltam.

Escolho narizes com a naturalidade de quem prova vestidos. Esse não combina, o outro tá fora de moda, aquele lá fica grande demais.

Cada instante perto (ou longe) dele fazia diferença. E, de um dia pro outro, meu menino era homem e eu tinha rugas como as suas.

Ela era o meu estímulo para ir às aulas de natação, pois eu precisava de pulmões fortes pra sentir o cheiro dela por completo

As pálpebras ficaram pesadas. Os cílios se tocavam demoradamente, como se aproveitassem o encontro para trocarem carícias.

Lai Lai se dá ao luxo de não saber quase nada. Faz da ignorância uma aliada e, da falta de memória, uma forma de encarar tudo com ingenuidade.

A explicação vem disfarçada, embutida nas últimas três letras do país onde ela nasceu: Equador. Foi lá que ela se casou e engravidou duas vezes.

Andou depressa para desviar dos olhares ao redor, pois não queria mostrar a ninguém o seu rosto nu, sem máscara nem sorriso.
Uma dor
Julieta Jacob
Sofreu e sofreu. Seu corpo começou a rejeitar cada carinho trocado naquela segunda-feira. E foram muitos. Fortes, intensos. Agora, escorregavam pelos poros, escorriam pelas pernas, eram levados pelas lágrimas. E como doía o corpo quente, inflamado. Enquanto o marido dormia alheio àquele sofrimento, Judite acocorou-se sob a água fria que caía do chuveiro. [...]