Umbigocêntrico | A duração do sorriso
out 17th, 2011 | Por Thiago Corrêa | Seçao: Destaque, Umbigocêntrico
Hoje o porta-retrato está enferrujado, empoeirado, perdido no meio de pilhas de papel em cima da minha mesa. Mas a gente continua sorrindo.

Hoje o porta-retrato está enferrujado, empoeirado, perdido no meio de pilhas de papel em cima da minha mesa. Mas a gente continua sorrindo.

Desconfie de títulos metidos a polêmicos e a engraçadinhos, capas com detalhes em ouro ou que lhe desperte uma sensação de fofura.

Depois de trinta páginas sem encontrar qualquer indício literário, então, meu velho, o jeito é desistir mesmo e tentar achar utilidade pra ele.

Não deixa de ser atraente perceber a trajetória daquele escritor, tentar entender sua obra como um todo e não através de partes isoladas.

Acordo antes do despertador tocar, mas o sono ainda é meu senhor. Com ele em forma de névoa na minha cabeça, tento cumprir a rotina matinal.

Por mais que ir ao refeitório já seja uma rotina, fico besta ao ver que pratos com o mesmo tamanho do meu consigam abrigar tanta comida.

A notícia já foi dada. Cansou, tornou-se velha desde que Ana Maria Braga começou a tratar do assunto. Não precisa ficar repetindo isso toda hora em todo canto.

Deu branco. O silêncio nem pediu licença, chegou e foi logo se instalando em minha cabeça. Me deixou calado por duas semanas.

- Mais que isso, Giovanni, elas são cúmplices!
- Como assim cúmplices?
- Elas estão nos traindo!

Não é aquele silêncio das ondas do mar, não tem folhas balançando, grilos nem besouros, bêbados ou catadores de lixo. É só o silêncio.