Clamor – Samarone Lima

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[learn_more caption=”PRÓLOGO” state=”open”]

samarone-clamorAutor: Samarone Lima nasceu na cidade do Crato, interior do Ceará, em 1969. É jornalista, cronista e poeta. Como jornalista, trabalhou no Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio, Revista Veja.

Livro: Clamor: a vitória de uma conspiração brasileira é o segundo livro-reportagem de Samarone Lima. A edição traz fotografias da época, ajudando a ilustrar os episódios relatados nos 20 capítulos do livro.

Tema e Enredo: O livro conta a história do Clamor, grupo formado pelo advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, a jornalista Jan Rocha e o pastor Jaime Wright para denunciar os horrores das ditaduras sul-americanas, como práticas de tortura e o desaparecimento de crianças.

Forma: Fruto de um extenso trabalho de pesquisa, o livro oferece um rico material sobre o período dos governos militares na América do Sul. Apesar do volume de informações, o autor consegue a proeza de não deixar seu texto truncado, acadêmico demais.

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[learn_more caption=”CRÍTICAS” state=”open”]

Era setembro de 1976, quando os pais uruguaios de Anatole e Vicky foram mortos por militares, durante a ditadura na Argentina. As duas crianças, que presenciaram o assassinato, foram seqüestradas, desaparecendo nos porões da ditadura para desespero dos familiares. Partindo deste caso específico, Samarone Lima começa a narrar um problema que atingiu inúmeras famílias da América do Sul nas décadas de 70 e 80, motivando o surgimento do grupo Clamor, na defesa dos direitos humanos.

No livro Clamor: A vitória de uma conspiração brasileira, Lima conta como o advogado (hoje deputado federal pelo PT) Luiz Eduardo Greenhalgh, a jornalista Jan Rocha e o pastor Jaime Wright resolveram juntar suas forças para denunciar os horrores das ditaduras sul-americanas. Apesar do Brasil na época já viver sob a expectativa da abertura política, os três não se conformaram com o que ouviam de refugiados dos países vizinhos. Os relatos, cada vez mais frequentes, iam de práticas de tortura ao desaparecimento de crianças.

Com o apoio financeiro do Conselho Mundial de Igrejas e sob a proteção do arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, o grupo teve uma importante participação no combate aos abusos dos militares. A atuação do Clamor se dava em três frentes – na coleta e documentação de relatos, na divulgação dos casos e no suporte jurídico aos familiares de presos políticos.

Agindo de maneira rápida e silenciosa, em parceria com outros grupos de direitos humanos da América do Sul, o Clamor logo conseguiu seus primeiros resultados, passando a ser cada vez mais solicitado para prestar ajuda. Especialmente depois de comprovar o sequestro de filhos de desaparecidos políticos e a integração dos militares sul-americanos através do caso Anatole e Vicky, que rendeu repercussão internacional. Numa difícil operação internacional envolvendo, além do Brasil, o Uruguai, a Argentina e o Chile de Augusto Pinochet, o grupo localizou as crianças desaparecidas quase três anos depois do assassinato dos seus pais em Buenos Aires, conseguindo impedir o processo de adoção por parte de um casal chileno.

Mas a história contada por Samarone Lima não se restringe apenas ao Clamor. É o relato de uma época, onde divergências políticas podiam resultar em mortes. Onde a dor da perda reforçava os laços de solidariedade. Resgata episódios importantes como o culto ecumênico realizado em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, então diretor de telejornalismo da TV Cultura, morto pelos militares no período mais duro da ditadura no Brasil e o surgimento das Madres de Plaza de Mayo, na capital argentina.

Fruto de um extenso trabalho de pesquisa, o livro, que é resultado de uma tese de mestrado, oferece um rico material sobre o período dos governos militares na América do Sul. Apesar do volume de informações, o autor consegue a proeza de não deixar seu texto truncado, acadêmico demais. A fluidez é a mesma das crônicas escritas pelo autor sobre sua vidinha rotineira no Poço da Panela, capaz de prender o leitor do começo ao fim.

Mas como nem tudo é perfeito, sente-se uma certa distância no que diz respeito aos relatos sobre os horrores das ditaduras. O que se vê são números de mortos, de desaparecidos e a angústia dos parentes pela incerteza do que está ocorrendo. A impressão que dá, em alguns momentos, é que as histórias são narradas de fora, sem o envolvimento humano necessário, como se fossem baseadas em planilhas ou listas de desaparecidos, faltando maiores detalhes para se poder transmitir um pouco da atmosfera de terror da época. Algo que só acontece quando aborda a viagem do jornalista Ricardo Carvalho a Montevidéu, um dos que contribuíram com o Clamor no caso Anatole e Vicky.

Lido em Nov. de 2006

Escrito em 18.11.2006

[author][author_image timthumb=’on’]http://www.vacatussa.com/wp-content/uploads/2014/03/Thiago-Corrêa-Foto-de-Ale-Ribeiro-3.jpg[/author_image] [author_info]Thiago Corrêa é jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela UFPE.

Relação com o escritor: Conheci Samarone quando o entrevistei para um trabalho da faculdade. Já como jornalista, entramos em contato novamente em eventos, por conta do lançamento da coletânea A cabeça do futebol e de Viagem ao crepúsculo, e devido ao seu trabalho como assessor do escritor Ariano Suassuna. [/author_info] [/author] [/learn_more] [learn_more caption=”FICHA TÉCNICA” state=”close”]

Clamor: A vitória de uma conspiração brasileira

Samarone Lima

Objetiva

1a. edição, 2003

260 páginas

[/learn_more] [learn_more caption=”TRECHO” state=”close”]

“A casa de Mario Roger Julien Cáceres e sua esposa, Victoria Grisonas de Julien, na esquina das ruas Mitre e Carlos Gardel, no bairro de San Martín, Buenos Aires, é rapidamente cercada. São muitos carros e até um pequeno tanque. Na sala, Mario e Victoria ainda na sabem da intensa movimentação de dezenas de homens armados e à paisana. Aparentemente, é mais um dia como tantos outros que o casal de uruguaios passa ao lado dos filhos Anatole e Eva Lucia Victoria Grisonas, a Vicky. Anatole, nascido em Montevidéu, acabara de completar quatro anos no dia 22. Vicky, que nasceu em Buenos Aires, em 7 de maio de 1975, tem apenas um ano e quatro meses. Na parede, um calendário marca 26 de setembro de 1976.” (p. 17)

[/learn_more] [learn_more caption=”EPÍLOGO” state=”close”]

Cinema

O livro está em processo de adaptação para o cinema. O roteiro já foi escrito por Douglas Tourinho, com apoio do Funceb – Fundo Cultural do Estado da Bahia.

Trilogia

Clamor faz parte de um projeto de trilogia sobre a ditadura. A primeira parte foi o livro e a terceira, ainda em processo de escrita, terá como tema a bomba que explodiu no Aeroporto dos Guararapes.

[/learn_more] [learn_more caption=”OUTRAS OPINIÕES” state=”close”]

Yvone Dias Avelino, Projeto História. Revista do Programa de Estudos Pós-graduados de História, em dezembro de 2004.

(http://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/9964/7403).

“O grande mérito é a apresentação de uma narrativa sociológica/histórica contemporânea, flagrada e apurada sob o olhar atento do jornalista. Trabalho interdisciplinar, presenteia-nos com a memória dos atos sórdidos de uma época negra, dolorosa e sombria.”

Marcelo Rubens Paiva, Folha de São Paulo, em 16 de setembro de 2003.

(http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u36866.shtml).

“Em 26 de setembro de 1976, em Buenos Aires, a casa de Mario Cáceres e Victoria Julien –casal de uruguaios exilados na Argentina– foi rapidamente cercada. O pai escondeu os filhos Anatole, 4, e Vicky, 1, numa banheira coberta pela cortina.

A mãe é alvejada, arrasta-se até a esquina, onde recebe o tiro de misericórdia. O pai é metralhado no banheiro. As crianças são descobertas. Entram na lista das muitas crianças desaparecidas em regimes militares do Cone Sul.

A família do casal procura em vão. O desfecho da história se dá três anos depois: o grupo brasileiro Clamor recebeu informações de que duas crianças com sotaque uruguaio e roupas argentinas foram abandonadas numa praça em Valparaíso, Chile, recolhidas por uma assistente social e, depois, adotadas por um dentista.

Atrás da informação – em viagens secretas em pleno regime Pinochet – e checando fotos, constatou-se: eram Anatole e Vicky.

Este é um dos muitos feitos emocionantes do Clamor, cuja história é resgatada no livro “Clamor – A Vitória de uma Conspiração Brasileira”, do jornalista Samarone Lima, 34. Contrapondo-se à Operação Condor (manobra que uniu as polícias políticas do Brasil, Uruguai, Paraguai, Chile e Argentina), o Clamor foi criado há 25 anos, em São Paulo, sob as asas de d. Paulo Evaristo Arns.”

[/learn_more] [learn_more caption=”LEIA TAMBÉM” state=”close”]

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Entrevista

Entrevista de Samarone Lima ao Vacatussa (agosto de 2014)

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Sobre o autor

Jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela UFPE, onde desenvolveu pesquisa sobre narrativa em literatura eletrônica. É um dos fundadores do Vacatussa, integrou a equipe do programa de rádio Café Colombo, passou pelas redações dos jornais Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco.

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