Perfil: Ronaldo Correia de Brito

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Vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura e finalista de outras importantes premiações, a carreira de Ronaldo Correia de Brito é um dos casos, infelizmente nem sempre tão frequentes, em que repercussão midiática e editorial andam juntos com qualidade literária. Embora boa parte do seu público leitor o conheça a partir da publicação, em 2003, do ótimo livro de contos Faca, a verdade é que o seu autor já possuía uma carreira longa antes de ser finalmente “descoberto”.

Criador de um dos mais bem sucedidos e montados espetáculos infantis das últimas décadas, Baile do Menino Deus (1983), Ronaldo Correia de Brito também foi o responsável por outras peças de teatro como O Pavão Misterioso (1985), Bandeira de São João (1987) Arlequim (1989), que além de serem montagens teatrais, também foram lançadas como discos musicais e, posteriormente, como livros. O autor ainda se envolveu na escrita de outros espetáculos teatrais, a exemplo de Retratos de mãe (1995), Malassombro (1996), Auto das Portas do Céu (2000), Os Desencantos do Diabo (2001), Ópera do Fogo (2003) e O Reino Desejado (2003).

Além disso, a carreira de Ronaldo Correia de Brito também apresenta incursões no audiovisual, como os documentários Cavaleiro Reisado (1973), Caboclinhos: Um Grito de Guerra na Selva Urbana (1984) e Brincadeira de Mateus (1983) e do longa-metragem Lua Cambará (1975-1977), conto publicado no volume Faca que posteriormente ganhou nova adaptação para o cinema pelo diretor Rosemberg Cariry e duas versões para o balé.

Conciliando seus compromissos profissionais na Medicina com a escrita, Ronaldo Correia de Brito sempre escreveu mesmo quando não havia uma possibilidade clara de publicação. Sua estreia em livro de ficção acontece em 1989 com o volume de contos Três histórias na noite, vencedor de um concurso literário promovido pelo governo do estado de Pernambuco. Em 1997, publica pela Bagaço seu segundo volume de contos As noites e os dias.

Da sua estreia até o presente momento, a obra que segue em construção se revela sólida e marcada por momentos intensos e de grande fatura artística. Da excelência dos seus livros de contos Faca e Livro dos Homens (2005), marcados por narrativas concisas, trágicas e em muitos casos marcadas pela influência da linguagem cinematográfica e da cultura popular, chegando até o livro que consagrou em definitivo sua carreira, o romance Galileia, o espaço em destaque é certamente o sertão e suas pequenas cidades. Estamos longe, porém, da mera sociologia, pois a obra de Ronaldo consegue criar um universo narrativo que se revela ao mesmo tempo mítico e muito contemporâneo. Com seus dois livros seguintes, Retratos imorais (2010) e Estive lá fora (2012), sua obra adquire tons mais experimentais, em especial nas suas narrativas curtas, passando a enfocar, com afeto e revolta, a cidade escolhida por seu autor há décadas como lar adotivo: o Recife. Consolida-se, também, o seu lado cronista, bem representado na antologia Crônicas para ler na escola (2011).

Seguindo a mesma estrutura dos dossiês anteriores, fizemos uma longa entrevista coletiva com o autor a respeito da sua obra. Cada um dos seus livros ganhou resenhas e o destaque vai para o nosso resenhista convidado, o jornalista e crítico literário Diogo Guedes, que escreveu sobre o romance Estive lá fora. Claro, não poderiam faltar também os nossos tradicionais jogos, cruzadinha e caça-palavras.

Uma boa leitura a todos!

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