Entrevista com Thiago Corrêa Ramos

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Como parte da nossa estratégia de divulgação, fizemos uma entrevista com o escritor Thiago Corrêa Ramos sobre A engenhoca, seu primeiro livro voltado ao público infantil. Nessa conversa, ele fala sobre como surgiu a ideia do livro, o seu processo de escrita, revela alguns easters eggs e referências usadas na construção da história e sobre o desafio de escrever para crianças.


Como surgiu a ideia de escrever A engenhoca?

THIAGO CORRÊA RAMOS | Veio da vida mesmo. Eu tinha acabado de virar pai. Estava naquela fase de passar as madrugadas em claro, exausto, tendo que acordar cedo pra trabalhar no dia seguinte e colocar minha filha Aurora pra dormir nas várias vezes que ela acordava durante a madrugada. Então a solução foi conciliar esses tempos e dar um jeito de trabalhar com ela, aproveitando as noites em claro para pensar e escrever – ainda que mentalmente – algumas histórias. Depois, quando fui colocar no papel, surgem outras questões, você percebe outras necessidades, mas a essência da história é basicamente a mesma daquelas noites de insônia e choro.

O que mudou? Como foi o processo de escrita?

THIAGO CORRÊA RAMOS | Na primeira versão escrita, a história era mais longa, tinha mais detalhes. Mas acabei enxugando pra deixar tudo mais centrado na relação entre pai e filha e no problema que o leva a inventar a engenhoca. No mais, o que mudou foram detalhes. Aos poucos fui concentrando a história no tema, digamos, espacial; inserindo detalhes sobre os fenômenos do céu, como o eclipse, o pôr-do-sol, o sistema solar. Por exemplo, os nomes dos personagens eram outros, terminei escolhendo Nicolau por conta do Copérnico, que foi o astrônomo da teoria de que o sol é o centro do nosso sistema, e Valentina em homenagem a primeira astronauta mulher a viajar ao espaço, a Valentina Tereshkova. Depois que recebi as ilustrações de Victor Zalma ainda mexi um pouco no texto, porque achei que estava repetitivo, dizendo muito do que já estava na imagem.

Esse é seu primeiro trabalho voltado ao público infantil. O que muda ao focar nos leitores mirins?

THIAGO CORRÊA RAMOS | Na verdade, esse é o primeiro livro publicado, mas antes dele já havia escrito outras duas histórias e depois dele já vieram outros tantos. Em relação às diferenças, um livro infantil é uma forma de contar uma história como outra qualquer, igual a uma reportagem, uma biografia ou um conto. Claro, cada um tem suas particularidades, suas “regras”, mas o objetivo é o mesmo, que é contar uma história, prender a atenção do leitor e tentar passar alguma forma de conhecimento, compartilhar ideias e sentimentos. A diferença, ao focar no público infantil, talvez seja a necessidade de ser mais direto, sem exigir muitas interpretações do leitor.

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