Estuário – Samarone Lima

1
[learn_more caption=”PRÓLOGO” state=”open”]

Autor: Samarone Lima nasceu na cidade do Crato, interior do Ceará, em 1969. É jornalista, cronista e poeta. Por duas vezes foi finalista do Prêmio Jabuti (nas categorias reportagem e poesia) e foi o segundo colocado no Prêmio Brasília de Literatura.

Livro: Coletânea que reúne 92 crônicas escritas nos anos de 2004 e 2005 primeiramente para a coluna Estuário no portal JC OnLine, que deu origem ao site pessoal do autor (www.estuario.com.br). O livro teve sua primeira edição lançada pela Livro Rápido na Bienal do Livro de Pernambuco em 2005 e depois ganhou 2ª edição pela Bagaço em 2006.

Tema e Enredo: Partindo de pequenos fatos do cotidiano, as crônicas abordam questões políticas como uma simples troca de poste na rua, os índices de violência em Pernambuco, o poder de uma pessoa em transformar sua realidade e as relações de amizade no Poço da Panela.

Forma: As crônicas seguem a tradição dos cronistas brasileiros, com uma narrativa leve, fluida e alto poder comunicativo. Dependendo do tema abordado, as crônicas podem gerar indignação, provocar risos e compaixão.

[/learn_more]

[learn_more caption=”CRÍTICAS” state=”open”]

A panela do Poço

Antes de continuar nesta crítica e se sentir impelido a ler o livro Estuário: crônicas do Recife, um aviso: cuidado, você vai ficar tentado a trocar de endereço e passar a morar no Poço da Panela, Zona Norte do Recife. Bom, eu avisei. A partir de agora, a escolha é toda sua, então segure a pressão porque as crônicas do jornalista e escritor Samarone Lima reunidas no volume são como um convite a participar daquele pedaço de interior cravado nesse mondrongo de concreto que se transformou o Recife.

Em boa parte das 92 crônicas reunidas no livro, o autor transforma o Poço da Panela no umbigo do mundo. Morador do bairro durante o período em que as crônicas foram escritas, Samarone Lima registra a intimidade de um bairro que resistiu à especulação imobiliária e ainda guarda o direito de não se encerrar entre grades e muros, abrindo-se a convivência calorosa dos vizinhos, seja nas peladas de domingo jogando no time Os Caducos, no bloco carnavalesco Os Barbas, no forró de São João e principalmente entre uma cerveja e outra na esquina do Bar de Seu Vital.

É dali que Samarone Lima lança seu olhar sobre o que quer que seja. Como uma conversa de botequim, as crônicas abordam desde pequenas coisas como fatos da vida, relações de amizade, futebol, vida alheia, observações sobre os casamentos na igrejinha do Poço; até assuntos mais importantes que dizem respeito a política, economia, educação e saúde. Seja para criticar ou inspirar, para fazer pensar ou alegrar; o tom das crônicas é o mesmo. Samarone segue a tradição brasileira de grandes cronistas que privilegia a leveza e o poder comunicativo sem, contudo, abdicar da inteligência, ignorar assuntos sérios e se esquivar do exercício da política.

Algo que o autor pratica sem precisar mudar os rumos. O procedimento é o mesmo, os assuntos entram na pauta na medida em que cruzam pela rota do autor. É o caso, por exemplo, da bem-humorada saga do fusquinha, que nasce do processo de teste de psicotécnico, exame do Detran e apuros no trânsito. Ou dos altos índices de violência em Pernambuco que vira tema da dura crônica Estamos vivos pelo fato do autor ter sido assaltado. Ou da falta de tato da Celpe ou da Vigilância Sanitária porque a primeira trocou o poste em frente a Seu Vital e porque a segunda fez várias restrições ao bar, numa imposição que não leva em consideração a realidade do local. Ou de como o problema da saúde passa pela falta de compromisso dos médicos com a comunidade, a partir da chegada da nova doutora do posto de saúde, relatado na crônica A doutora e a esperança.

Ao optar por se manter fiel ao espírito pessoal da crônica, o relato de Samarone Lima ganha força, na crítica e na nostalgia, porque humaniza o narrador e traz o leitor para dentro das suas histórias, fazendo com que a gente também seja vizinho da cantora Isaar, do artista plástico Maurício Silva, tome umas cervejas na companhia de Nana, cante Índia com Seu Vital. O convite é tão bem feito que depois das 334 páginas o risco é você querer se mudar para o Poço da Panela. Bom, eu avisei.

Lido em agosto de 2014

Escrito em 15.08.2014

[author][author_image timthumb=’on’]http://www.vacatussa.com/wp-content/uploads/2014/03/Thiago-Corrêa-Foto-de-Ale-Ribeiro-3.jpg[/author_image] [author_info]Thiago Corrêa é jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela UFPE.

Relação com o escritor: Conheci Samarone quando o entrevistei para um trabalho da faculdade. Já como jornalista, entramos em contato novamente em eventos, por conta do lançamento da coletânea A cabeça do futebol e de Viagem ao crepúsculo, e devido ao seu trabalho como assessor do escritor Ariano Suassuna. [/author_info] [/author] [/learn_more] [learn_more caption=”FICHA TÉCNICA” state=”close”]

Estuário: crônicas do Recife

Samarone Lima

Editora: Bagaço

2ª edição, 2006

334 páginas

[/learn_more] [learn_more caption=”TRECHO” state=”close”]

“Hoje, quinta-feira, feriado de Corpus Christi, estou vivo. Fui assaltado outra noite, após show do Luis Melodia, no Campus da UFPE, onde morei quatro anos, mas estou vivo. Eram dois jovens armados e nervosos, eu ainda em êxtase com o show, e o revólver batendo no vidro, comunicando o novo momento, nos levaram tudo, principalmente a alegria do show, “baby, é magrelinha” já era, a melodia recifense tem sido tão triste, mas estou vivo.” (crônica: Estamos vivos, p. 17)

[/learn_more] [learn_more caption=”EPÍLOGO” state=”close”]

Capa

A fotografia que ilustra a capa do livro é a esquina do Bar de Seu Vital.

[/learn_more] [learn_more caption=”LEIA TAMBÉM” state=”close”]

Do mesmo autor

– Samarone Lima

Clamor – Samarone Lima

Viagem ao crepúsculo – Samarone Lima

Tempo de Vidro e A praça azul – Samarone Lima

O aquário desenterrado – Samarone Lima

Entrevista

Entrevista de Samarone Lima ao Vacatussa (agosto de 2014)

Links relacionados

Blog do autor: Estuário

[/learn_more]

 

Compartilhe

Sobre o autor

Jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela UFPE, onde desenvolveu pesquisa sobre narrativa em literatura eletrônica. É um dos fundadores do Vacatussa, integrou a equipe do programa de rádio Café Colombo, passou pelas redações dos jornais Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco.

1 comentário

  1. Pingback: Dossiê: Samarone Lima - vacatussa

Comente!