<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	>

<channel>
	<title>vacatussa</title>
	<atom:link href="http://www.vacatussa.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.vacatussa.com</link>
	<description>literatura doente e animal</description>
	<pubDate>Sun, 07 Mar 2010 21:08:14 +0000</pubDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.7.1</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Onde vivem os monstros - Maurice Sendak</title>
		<link>http://www.vacatussa.com/2010/02/onde-vivem-os-monstros-maurice-sendak/</link>
		<comments>http://www.vacatussa.com/2010/02/onde-vivem-os-monstros-maurice-sendak/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 01:39:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Corrêa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>

		<category><![CDATA[Destaque]]></category>

		<category><![CDATA[ilustração]]></category>

		<category><![CDATA[literatura americana]]></category>

		<category><![CDATA[literatura infanto-juvenil]]></category>

		<category><![CDATA[Maurice Sendak]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.vacatussa.com/?p=1682</guid>
		<description><![CDATA[Obra de Sendak foi alçada a clássico da literatura infantil por ter revolucionado a linguagem dos livros ilustrados.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O amadurecimento do sonho</strong></p>
<p>Numa época em que a violência das grandes cidades brasileiras se tornou parte do cotidiano, chega a ser difícil pensar no espaço reservado aos monstros no imaginário das crianças. Quando os efeitos especiais dos filmes e videogames ainda não conseguiam dar tons de verossimilhança a seres que fugiam aos limites da realidade, a escuridão e a monotonia serviam como um convite capaz de despertar a imaginação dos mais novos para povoar o mundo com criaturas esquisitas.</p>
<p>Esse universo nostálgico ganha um novo impulso por aqui com uma série de lançamentos do mercado editorial impulsionados pelo filme <em>Onde vivem os monstros</em>, com estreia no Brasil em janeiro. É bem verdade que parte desse rebuliço se deve ao diretor do filme Spike Jonze, conhecido entre o público cult por obras como <em>Quero ser John Malkovich</em> e <em>Adaptação</em>; mas também é potencializado pelo livro homônimo do americano Maurice Sendak que dá origem à película.</p>
<p>Com o currículo de já ter vendido mais de 18 milhões de exemplares nos Estados Unidos, o volume foi traduzido para mais de vinte línguas e arrebatou o Prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel dos livros para crianças. Lançado em 1963, <em>Onde vivem os monstros</em> foi alçado a clássico da literatura infantil por ter revolucionado a linguagem dos livros ilustrados.</p>
<p>Nele, as imagens não se limitam mais a reproduzir o que as palavras escritas dizem, as figuras aqui são usadas como elementos da própria narrativa, transmitindo novas informações e sensações ao leitor. Um exemplo é na forma como Sendak trabalha o crescimento da imaginação do menino Max, personagem que veste sua fantasia de lobo e acaba ficando de castigo após fazer estripulias.</p>
<p>Sem poder sair do quarto, a criatividade de Max começa a funcionar, fazendo aflorar árvores entre as paredes do seu dormitório. A medida que a mente fantasiosa do personagem expande os horizontes, as imagens do livro vão aumentando de tamanho até as paredes da casa de Max sumirem de vez para dar lugar a uma floresta e um oceano que o leva a terra dos monstros.</p>
<p>Quando isso acontece, as ilustrações preenchem a página por completo, ficando sem o efeito limitador das bordas em branco do papel. Um recurso a mais que Sendak usa para discutir o processo de amadurecimento das crianças decorrente da necessidade em educá-los, enquadrá-los em regras sociais, com os pais impondo limites aos desejos dos filhos.</p>
<p>Da mesma forma acontece com o texto, que passa a dialogar com os recursos do formato livro. Sendak explora a estrutura sequenciada das folhas de papel através da interrupção de frases que são retomadas na página seguinte, como uma estratégia de fazer suspense e criar expectativas no leitor. Essas características foram preservadas na edição brasileira, que sai pela Cosac Naify em capa dura, ilustrações coloridas e papel especial, por exigência do próprio Sendak.</p>
<p>Thiago Corrêa<br />
lido em Set. de 2009<br />
escrito em 23.12.2009</p>
<p><strong>: : TRECHO : :</strong><br />
“E quando ele chegou aonde vivem os monstros, eles rugiram seus terríveis rugidos e arreganharam seus terríveis dentes e revivaram seus terríveis olhos e mostraram suas terríveis garras” (pp. 21-22).</p>
<p><strong>: : FICHA TÉCNICA : :</strong><br />
Onde vivem os monstros<br />
Maurice Sendak<br />
Tradução: Heloisa Jahn<br />
Cosac Naify<br />
1a. edição, 2009<br />
44 páginas</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.vacatussa.com/2010/02/onde-vivem-os-monstros-maurice-sendak/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Umbigocêntrico &#124; Como evitar um livro ruim?</title>
		<link>http://www.vacatussa.com/2010/02/umbigocentrico-como-evitar-um-livro-ruim/</link>
		<comments>http://www.vacatussa.com/2010/02/umbigocentrico-como-evitar-um-livro-ruim/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 04:30:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Corrêa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>

		<category><![CDATA[Umbigocêntrico]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.vacatussa.com/?p=1732</guid>
		<description><![CDATA[<img src="http://www.vacatussa.com/wp-content/uploads/2010/livroruim6.jpg">
Desconfie de títulos metidos a polêmicos e a engraçadinhos, capas chamativas com detalhes em ouro ou que lhe desperte uma sensação de fofura.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Como evitar um livro ruim?</strong><br />
Thiago Corrêa</p>
<p>Quando se tem a sorte de ter duas mãos e a vontade de ser uma pessoa melhor, é bem provável que você acabe segurando um livro ruim. Leitores são presas fáceis, que nem ratos inebriados pelo cheiro de gorgonzola. A traição vem pela capa, o comentário de um amigo ou colega de trabalho, resenha de alguma publicação ou desejo de seguir novos caminhos além das recomendações da imprensa, do circuito de eventos e dos prêmios literários. Não importa, a escolha por um livro sempre implica no risco de ser pego pela ratoeira da mediocridade.</p>
<p>E quando isso acontece, meu velho, por mais habituado que você esteja, nunca é fácil pular fora. É um dilema, parece a hora de terminar um namoro. Gera sentimento de culpa, você vai se lamentar e se arrepender mesmo sabendo que aquela era a decisão certa a tomar. De um jeito ou de outro, não importa. Se continua, fica pensando que deveria usar aqueles minutos pra ler <em>Dom Quixote</em>, <em>Moby Dick</em> e Machado de Assis. Mas, se abandona, também vai se recriminar por ficar na metade e não dar chance para o autor lhe surpreender.</p>
<p>O jeito então é evitar chegar a esse ponto, abandonar o barco antes criar apego. Faça uma vistoria, igual a que você faz durante a paquera. Da mesma forma que observamos se a gatinha fala alto, usa roupas estranhas ou curte música sertaneja; procure reparar no estilo do livro que você está flertando. Analise a capa, observe a qualidade da impressão, o tamanho da letra, o tipo da fonte. Depois passe para a orelha, mas cuidado: tente manter distância, porque é por ela que sempre começa a sedução. Dos livros e das mulheres.</p>
<p>Não se iluda com os trechos de comentários da Time e da Newsweek, lembre-se da quantidade de filmes ruins que você já assistiu e traziam na capa aspas deles dizendo Sensacional, Inesquecível e Melhor filme do ano. Faça uma pesquisa antes, veja quem é o autor, procure descobrir que outros livros ele já escreveu. Confira a lista dos mais vendidos, perceba a tendência do mercado e fuja dos genéricos de temática árabe, vampirismo emo e conspirações sobre a igreja católica. Se é para fazer merda, vá direto ao ponto, pegue <em>O Código Da Vinci</em>, <em>Crepúsculo</em> e <em>O caçador de pipas</em>. No caso de livro teórico, observe a bibliografia, veja se o autor estudou direitinho antes de querer ensinar os outros.</p>
<p>Desconfie de títulos metidos a polêmicos e a engraçadinhos, capas chamativas com detalhes em ouro ou que lhe desperte uma sensação de fofura. Livros são produtos, igual a biscoito e cerveja. Então não troque um Tezza por uma capa de melancia ou pijama, pois você não abriria mão de um pacote de Bono ou uma garrafa de Heineken só porque as embalagens do Treloso e da Nova Schin estão mais fofas. Agora, claro, essa regra não vale para as belezuras das edições da Cosac Naify, que merecem ser admiradas independentemente do conteúdo.</p>
<p>Mas aí chegamos a outro ponto, sempre observe que editora está por trás do livro. Se uma marca conseguiu ser sinônimo de qualidade, é porque ela se preocupa com o que oferece aos seus clientes. No universo literário é a mesma coisa, isso vale tanto para as editoras quanto para os escritores. Sim, no fim das contas, os nomes dos autores também viram marcas, algumas mais confiáveis do que as outras. Num mundo saturado de informações, onde até seu Zé da esquina tem um blog para publicar versos, valorize os que preferem ficar em silêncio quando não têm o que dizer.</p>
<p>Você pode até evitar o uso de toda essa peneira e só apostar no certo, esquecer o que acontece à sua volta e ler apenas os clássicos já estabelecidos. Ou então acessar o Vacatussa, ler nossas críticas e evitar o risco de ser um desses acadêmicos zumbis que só conversam com alguém no chá das cinco. Mesmo assim, não garanto nada, nem sempre dá certo, às vezes um livro bom fica na peneira e outros ruins passam que nem água. Se esse método fosse infalível, pode ter certeza que eu não teria pensado na idéia para escrever esta trilogia.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.vacatussa.com/2010/02/umbigocentrico-como-evitar-um-livro-ruim/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Umbigocêntrico &#124; O que fazer com um livro ruim?</title>
		<link>http://www.vacatussa.com/2010/02/umbigocentrico-o-que-fazer-com-um-livro-ruim/</link>
		<comments>http://www.vacatussa.com/2010/02/umbigocentrico-o-que-fazer-com-um-livro-ruim/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 04:15:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Corrêa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>

		<category><![CDATA[Umbigocêntrico]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.vacatussa.com/?p=1711</guid>
		<description><![CDATA[<img src="http://www.vacatussa.com/wp-content/uploads/2010/livroruim4.jpg">
Depois de trinta páginas sem encontrar qualquer indício literário, então, meu velho, o jeito é desistir mesmo e tentar achar utilidade pra ele.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O que fazer com um livro ruim?<br />
</strong>Thiago Corrêa</p>
<p>É inevitável, por mais cuidadoso que você seja, um livro ruim sempre vai se infiltrar na sua lista de leitura. Dada a quantidade de títulos lançados no Brasil, essa probabilidade só tende a aumentar. E aí, o que fazer nessa situação? Insistir, desperdiçar outras tantas horas e, ao menos, ter propriedade para justificar sua opinião, fundamentar uma crítica e escrevê-la na esperança de mostrar ao autor que nunca mais se atreva a ser escritor? Ou simplesmente parar no meio, fechar o livro, deixá-lo de castigo e partir para a purificação com um clássico?</p>
<p>Cada vez mais minha balança tem pendido às impressões por amostragem, feito as grandes empresas que abrem certo número de caixas, vêem o estado da mercadoria e, se não estiver tudo beleza, recusam o caminhão inteiro. Depois de trinta páginas sem encontrar qualquer indício literário, então, meu velho, o jeito é desistir mesmo e tentar achar utilidade pra ele. Uma dica é procurar usá-lo como moeda de troca. Junte alguns títulos e vá ao sebo fazer escambo. O dono vai dizer logo que não tem interesse em comprá-los, mas tente a permuta.</p>
<p>Não importa o que ele oferecer, aceite, mesmo sabendo que a soma dos seus livros ruins custam muito mais que o preço do título escolhido por você. Troque dois por um; três, cinco ou dez por um único exemplar. O esquema é não pensar em números, mas em termos literários. Vale mais ter um título que você vai ler lambendo os beiços do que uma tuia de livros de múmia ocupando espaço na prateleira. O problema é que o bom sebista também sabe disso, mas de vez em quando dá certo.</p>
<p>Outra alternativa é passar a bomba pra frente, dar esse livro de presente e evitar um novo gasto. Essa alternativa, no entanto, tem o efeito colateral de denegrir sua imagem de bom leitor, de intelectual que tem as opiniões respeitadas. Leve isso em consideração quando for presentear amigos e principalmente os inimigos. Já pensou no que esse povo poderia falar de você, caso eles ganhassem um exemplar chinfrim como sua recomendação?</p>
<p>Se você zela por sua imagem, o melhor é esquecer a grana e partir para a filantropia. Pelo menos assim, chegando numa ONG ou biblioteca para doar uma pilha de livros, você será visto como alguém bondoso, preocupado com a questão social, o acesso à leitura e a formação de novos leitores. Para a maioria das pessoas essa vai parecer uma saída nobre, mas que não me agrada nem um pouco. Como ainda guardo traumas por ter sido obrigado a ler José de Alencar no colégio, só consigo ver a evolução do problema nessa história de doar livros ruins.</p>
<p>Agora, em caso de nenhuma das opções anteriores terem adiantado, nos resta jogar os exemplares no lixo ou encontrar uma utilidade doméstica para o volume de papel que restou de uma tentativa literária. Quando a edição for grossa, de capa dura, ele pode servir como peso para não deixar a porta bater. Também serve como calço para elevar a altura do monitor ou da televisão, alinhando-os de acordo com a altura dos olhos, conforme as recomendações médicas. Não é muito apropriado, mas esse tipo de livro ainda pode ser usado como tamboretes ou mesmo como degraus de escada para se alcançar o pote de biscoito no armário em cima da pia ou os títulos da primeira prateleira.</p>
<p>Certa vez, antes de levantar da cama, Gisele Bündchen me disse que os livros de capa dura são ótimos para equilibrar na cabeça, enquanto treinamento de desfile para modelos. Nunca testei, o máximo que já fiz foi dividir alguns exemplares entre dois sacos e usá-los como peso para exercitar os bíceps. Presumo que os de capa não-plastificada também devem servir para iniciar o fogo do churrasco, você queima uma página e joga ele no carvão para criar brasa. No mínimo, o livro vai lhe ajudar a se alimentar de algo além de raiva e decepção. Mas o que mais dá vontade mesmo de fazer é pegar o livro e mandar de volta pro autor com a mensagem: não, obrigado.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.vacatussa.com/2010/02/umbigocentrico-o-que-fazer-com-um-livro-ruim/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Umbigocêntrico &#124; Por que ler um livro ruim?</title>
		<link>http://www.vacatussa.com/2010/02/umbigocentrico-por-que-ler-um-livro-ruim/</link>
		<comments>http://www.vacatussa.com/2010/02/umbigocentrico-por-que-ler-um-livro-ruim/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 04:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Corrêa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Umbigocêntrico]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.vacatussa.com/?p=1735</guid>
		<description><![CDATA[<img src="http://www.vacatussa.com/wp-content/uploads/2010/livroruim2.jpg">
Mesmo estando num mau momento, não deixa de ser atraente perceber a trajetória daquele escritor, tentar entender sua obra como um todo e não através de partes isoladas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por que ler um livro ruim?</strong><br />
Thiago Corrêa</p>
<p>A literatura é uma arte que nos faz pensar sobre a morte. Quando entro numa biblioteca, livraria ou simplesmente encaro minha própria prateleira, ali no corredor; sempre bate a angústia de sentir a areia do tempo escorrer entre meus dedos. A certeza de saber que não vou viver o suficiente para ler nem mesmo as obras essenciais para a literatura, só aumenta a pressão para não desperdiçar minutos de leitura com livros ruins. Mas calma, mesmo essa espécime de qualidade questionável às vezes tem salvação.</p>
<p>Primeiro repare em quem é o autor. Se for alguém que conseguiu mostrar sua capacidade em outras obras, vale a pena continuar. Mesmo estando num mau momento, não deixa de ser atraente perceber a trajetória daquele escritor, tentar entender sua obra como um todo e não através de partes isoladas. A esperança é que apareçam relances de outras histórias, explicações para características de sua literatura ou pistas do que está por vir.</p>
<p>Serve até como incentivo, afinal, se até Ele escreveu besteiras, por que eu, um minúsculo mortal que não vai ter tempo sequer de ler os clássicos, precisa acertar sempre? O problema é que essa estratégia tem ficado arriscada pela lógica do vale tudo das editoras, publicando qualquer manuscrito engavetado só por causa da assinatura de um Nabokov ou Sartre. No entanto, é uma aposta que precisa ser feita, de vez em quando o oportunismo capitalista serve para descobrimos obras como <em>O processo</em> de Kafka.</p>
<p>Outra hipótese – pelo menos para mim, que trabalho com isso -, é quando se trata de um escritor incensado pela mídia. O livro pode ser revoltante de tão medíocre, mas aí você tem a obrigação moral de continuar a leitura para protestar e não engolir discurso besta dos outros. Apesar do sufoco de domar o sentimento de rejeição por mais de duzentas páginas, ao menos você ganha o direito de meter o pau e, como bônus, ainda consegue enxergar o funcionamento do mercado editorial, suas táticas de marketing e os jogos de interesse cada vez menos literários que alimentam as pautas dos jornais.</p>
<p>Agora nem sempre o nome do autor serve como indicador de leitura. Há casos em que a margem de erro deve ir além daqueles autores que já entraram no circuitão. Se não existisse gente interessada em descobrir coisas novas, ainda estaríamos lendo e relendo os gregos. A procura no mar de autores estreantes é mais complicada, pode se conformar, você vai encontrar uma infinidade de textos desconexos, horizontes de lugares comuns e montanhas de pretensões literárias que não passam de cópias de estilos já consagrados.</p>
<p>Essa pescaria é entediante, você dedica horas de leitura, falando sozinho para, quem sabe, um dia fisgar um escritor de verdade no meio de tantos bagres. O risco aqui é maior, a escolha passa pela intuição, não tem regras, nem oferece bônus; apenas o sonho de encontrar algo que lhe surpreenda. Que vem em lampejos, surge aqui ou acolá, na construção de uma frase, numa mudança repentina de tempo verbal, na caracterização do personagem ou mesmo pela escolha do tema. E aí, meu querido, quando isso acontecer, finalmente você vai perceber o quanto a literatura é uma arte que nos faz pensar sobre a vida.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.vacatussa.com/2010/02/umbigocentrico-por-que-ler-um-livro-ruim/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>A transparência do tempo - Fábio Andrade</title>
		<link>http://www.vacatussa.com/2010/02/a-transparencia-do-tempo-fabio-andrade/</link>
		<comments>http://www.vacatussa.com/2010/02/a-transparencia-do-tempo-fabio-andrade/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 20:33:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Corrêa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>

		<category><![CDATA[2009]]></category>

		<category><![CDATA[Fábio Andrade]]></category>

		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>

		<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<category><![CDATA[Prêmio Eugênio Coimbra Júnior de Poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.vacatussa.com/?p=1697</guid>
		<description><![CDATA[<img src="http://www.vacatussa.com/wp-content/uploads/2010/transparencia2.jpg">
O poeta esculpe sensações universais como a solidão, a noção da irreversibilidade do tempo e a certeza da morte. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Um estudo poético sobre o tempo</strong></p>
<p>A sensação de que estamos sempre atrasados ou desperdiçando tempo guarda engrenagens mais complexas do que o simples giro dos ponteiros do relógio. Em <em>A transparência do tempo</em> – segundo livro publicado por Fábio Andrade, que em 2005 lançara de forma independente <em>Luminar presença e outros poemas</em> –, o poeta investiga em versos os efeitos corrosivos da inevitável corrente do envelhecer.  Além dos poemas, a edição ainda traz a tradução de oito deles para o francês, feitas pelo professor de Letras da UFPE Lourival Holanda, e posfácio do crítico Cristhiano Aguiar.</p>
<p>Vencedor do Prêmio Eugênio Coimbra Júnior de Poesia de 2007, mas que só foi publicado em dezembro do ano passado, <em>A transparência do tempo</em> revela um poeta maduro, consciente dos riscos da linguagem poética e sem medo de prolongar a angústia da criação até que as palavras se harmonizem com suas ideias. Um trabalho árduo, cujo próprio poeta compara ao talhe, onde ele procura desenhar letras numa ordem capaz de traduzir sentimentos e temas abstratos referentes à passagem do tempo.</p>
<p>Com as ferramentas teóricas e de leituras acumuladas durante o exercício de professor universitário e de crítico, o poeta esculpe sensações universais como a solidão, a noção da irreversibilidade do tempo e a certeza da morte. Temas pessimistas comuns a esses dias em que a objetividade da lógica capitalista confronta a condição humana e nos faz questionar sobre o sentido da vida e o que vamos deixar para as gerações futuras.</p>
<p>Em <em>A transparência do tempo</em>, no entanto, Andrade não se limita às reflexões, ele também oferece caminhos para a luta pela sobrevivência ao fluxo dos minutos. Menos por convicção do que necessidade, o escritor trilha sua permanência indo na direção do amor e da construção literária. Este rumo aparece na forma de metalinguagem numa série de poemas sobre a criação poética, revelando as escolhas do autor. A batalha que ele nos mostra é dura, árdua e sofrida. O poeta trava uma luta com as palavras e contra a mesmice do dia-a-dia da vida a dois, como surge no delicado poema <em>2ª versão do amor</em>.</p>
<p>Uma dualidade que o escritor mantém com relação à forma. O conhecimento teórico do autor não se evidencia em eruditismos e na profusão de referências pedantes, ele aparece introjetado na sua voz poética, nas escolhas conscientes e no controle emocional de não se deixar levar pela tentação da névoa sentimental. Andrade firma o pé no chão, procura materializar o abstrato a partir de imagens do cotidiano, fazendo associações entre as questões da alma com pequenas coisas da vida como o balé de poeira sob o feixe de luz em <em>Observação do pó</em> ou um inseto hipnotizado pela lâmpada em <em>O segundo vaso de barro</em>.</p>
<p>Thiago Corrêa<br />
lido em Nov. de 2010<br />
escrito em 29.01.2010<br />
reescrito em 31.01.2010</p>
<p><strong>: : TRECHO : :</strong><br />
“Bandeiras de sangue  explodem rostos  e a voz circular  das bancadas  Os olhos do touro  cego e sem amarras  no balé ágil das espadas  pó e sangue  Na arena  sonho com uma morte  semelhante à do touro  cego de vontade.” (p. 59, poema: <em>Touro cego</em>).</p>
<p><strong>: : FICHA TÉCNICA : :</strong><br />
A transparência do tempo<br />
Fábio Andrade<br />
Fundação de Cultura Cidade do Recife<br />
1a. edição, 2009<br />
92 páginas</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.vacatussa.com/2010/02/a-transparencia-do-tempo-fabio-andrade/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>João Cabral de Melo Neto: o homem sem alma &amp; Diário de tudo - José Castello</title>
		<link>http://www.vacatussa.com/2010/02/joao-cabral-de-melo-neto-o-homem-sem-alma-diario-de-tudo-jose-castello/</link>
		<comments>http://www.vacatussa.com/2010/02/joao-cabral-de-melo-neto-o-homem-sem-alma-diario-de-tudo-jose-castello/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 20:30:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Corrêa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>

		<category><![CDATA[biografia]]></category>

		<category><![CDATA[ensaio biográfico]]></category>

		<category><![CDATA[João Cabral de Melo Neto]]></category>

		<category><![CDATA[José Castello]]></category>

		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.vacatussa.com/?p=1708</guid>
		<description><![CDATA[<img src="http://www.vacatussa.com/wp-content/uploads/2010/jcabral.jpg">
O livro desenvolve teses sobre a obra e o estado de espírito do poeta a partir de poemas, memórias ou mesmo através do olhar de Cabral.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>As sombras poéticas de uma entrevista </strong></p>
<p>Certas pessoas conseguem ser maiores do que aparentam seus semblantes. Em 1991, um pernambucano franzino, com mais de 70 anos de idade, dor de cabeça constante e crises depressivas ainda era capaz de impor sua condição de gigante ao experiente jornalista carioca José Castello. Afinal, o repórter resolvera escrever uma biografia de ninguém menos que João Cabral de Melo Neto (1920-1999), poeta que revolucionara a literatura brasileira ao romper com a tradição romântica de sentimentalismos líricos para construir um caminho poético baseado na solidez do concreto, da matéria e das imagens.</p>
<p>Apesar das dificuldades impostas pela mítica, discrição de diplomata e problemas comuns à idade avançada do biografado; Castello não se limitou à tarefa de descrever fases da vida do poeta engenheiro. Ele atinge o grau de ensaio biográfico, criando paralelos entre a vida e a obra cabralina. O livro <em>João Cabral de Melo Neto: o homem sem alma &amp; Diário de tudo</em> é o resultado do poder de análise crítica do repórter que se fundamenta em cima do material colhido durante os 21 encontros com o pernambucano, realizados no apartamento do poeta no Rio de Janeiro, entre 7 de março de 1991 e 6 de abril de 1992.</p>
<p>Como o título já diz, esta edição de 2006 da Bertrand Brasil vem acrescida da parte inédita <em>Diário de tudo</em>, reunindo anotações tomadas pelo repórter logo após as conversas com Cabral. Nelas, ele relata suas impressões, dificuldades e dúvidas sobre como organizar o material. Essas informações, que somadas ao prólogo do livro, tornam-se preciosas revelações de bastidores, onde Castello nos dá uma aula sobre os desafios da reportagem e do jornalismo cultural.</p>
<p>Fã de Cabral, o jornalista apresenta seus dilemas quanto ao formato do livro, seus receios em relação aos assuntos a serem tratados e às estratégias de abordagem para se aproximar do poeta. Pelo que encontramos na edição, as escolhas de Castello – ao preferir se manter fiel ao acordo de preservar a intimidade do pernambucano e, ao mesmo tempo, buscar uma postura não de reverência, mas de quem almeja chegar ao novo – não poderiam ter sido mais acertadas. O repórter foca na obra cabralina, procura entender os caminhos trilhados pelo poeta, descobrir suas referências literárias, as lições do convívio com outros escritores e a relação entre seus versos com as viagens que integram à carreira de um diplomata.</p>
<p>Algo que percebemos no prólogo, onde Castello nos convence de maneira arrebatadora a lamber os dedos enquanto viramos as 240 páginas restantes. Nessa primeira parte, já é possível perceber a maestria com que o jornalista vai construir o livro, utilizando-se de técnicas de reportagem alinhadas à tendência do jornalismo literário, evidenciada pelo poder de observação e a delicadeza na hora de usar as palavras para desenvolver o personagem Cabral com densidade sentimental.</p>
<p>Como os versos do poeta engenheiro, o repórter não se deixa cair nas tentações das impressões da subjetividade. Pelo contrário, ele desenvolve suas teses sobre a obra e o estado de espírito do poeta a partir de fatos, sejam eles trechos de poemas, memórias do pernambucano ou mesmo através do olhar de Cabral, perdido nas profundezas interiores. Exemplo disso é a cena em que Castello apresenta a angústia do poeta em lidar com as incertezas da alma ao se deparar com um velório na sede da Academia Brasileira de Letras.</p>
<p>A teoria que o jornalista defende em todo o livro, inclusive, está presente numa bela associação do estado de espírito do poeta com o aspecto sombrio do hall do elevador que antecede o apartamento do escritor pernambucano. A essência de <em>João Cabral de Melo Neto: o homem sem alma</em> vem concentrada nas 20 páginas do prólogo, ali, o autor já apresenta sua hipótese de que a obsessão do poeta pela matéria e pela objetividade é, na verdade, uma busca pessoal para afugentar seus fantasmas.</p>
<p>Nos capítulos que se seguem, essa idéia toma corpo à medida que Castello vai percorrendo a trajetória de vida de Cabral. Passa pela infância, pelas relações familiares, o gosto pelo futebol e a insegurança na hora de se encaixar numa atividade profissional. Desde então já é possível encontrar traços da formação intelectual do escritor, como o seu contato com a poesia e a cultura popular pernambucana através das leituras que o jovem Cabral fazia dos folhetos de cordel para os empregados do engenho do pai.</p>
<p>Agora, se foi o analfabetismo dos funcionários que aproximou Cabral da poesia, a evolução como poeta ocorre devido à sua amizade com alguns intelectuais. Num tempo em que internet era coisa de ficção científica, Cabral pôde construir seu conjunto de referências ao entrar num círculo de amizades com escritores e jornalistas, que lhe permitiu o contato a discussões e livros pouco acessíveis. Foi assim que ele descobriu ensaios teóricos de Paul Valéry e se achou com a poesia de Carlos Drummond de Andrade. Castello segue o percurso do poeta recriando a atmosfera criativa da época vivida por Cabral, em que os intelectuais mantinham o hábito de se encontrar para discutir ideias.</p>
<p>Vemos aí a amizade do pernambucano com Joaquim Cardozo, a contribuição fundamental de Gilberto Freyre para o poeta publicar seu primeiro livro <em>Pedra do sono</em>, os encontros com Manuel Bandeira, Ascenso Ferreira e Drummond no Rio de Janeiro, sua relação de antítese com Vinícius de Morais e sua abertura para trocar informações com jovens surrealistas espanhóis, bem como a aproximação com o pintor Joan Miró, durante sua passagem pela Espanha. Esses são momentos especiais do livro, onde Castello se mostra capaz de transportar os leitores para outra época, a fim de entendermos a grandiosidade que se esconde por trás daquele senhor franzino com mais de 70 anos.</p>
<p>Thiago Corrêa<br />
lido em Dez./Jan. de 2010<br />
escrito em 08.02.2010</p>
<p><strong>: : TRECHO : :</strong><br />
“Um pouco dos segredos de João Cabral de Melo Neto se derrama, já, diante dos elevadores sociais. O poeta tem uma alma imensa, que se espalha pelo mundo externo. Espírito agudo que o atravessa como uma faca, lâmina nervosa que luta, todo o tempo, para cegar e esconder. Por isso, certamente, Cabral ostenta com tanta ênfase e tanto orgulho sua fé desmesurada na beatitude do concreto. Só diante do material a dor pode se aplacar. A matéria é, quem sabe, a cura do poeta.” (pp. 16-17).</p>
<p><strong>: : FICHA TÉCNICA : :</strong><br />
João Cabral de Melo Neto: o homem sem alma &amp; Diário de tudo<br />
José Castello<br />
Bertrand Brasil<br />
1a. edição, 2006<br />
272 páginas</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.vacatussa.com/2010/02/joao-cabral-de-melo-neto-o-homem-sem-alma-diario-de-tudo-jose-castello/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Elza, a garota - Sérgio Rodrigues</title>
		<link>http://www.vacatussa.com/2010/02/elza-a-garota-sergio-rodrigues/</link>
		<comments>http://www.vacatussa.com/2010/02/elza-a-garota-sergio-rodrigues/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 20:28:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Corrêa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>

		<category><![CDATA[2009]]></category>

		<category><![CDATA[intentona comunista]]></category>

		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>

		<category><![CDATA[metaficção historiográfica]]></category>

		<category><![CDATA[romance]]></category>

		<category><![CDATA[Sérgio Rodrigues]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.vacatussa.com/?p=1549</guid>
		<description><![CDATA[<img src="http://www.vacatussa.com/wp-content/uploads/2010/elza2.jpg">
O trabalho aborda um momento-chave da História política do país e que, ainda hoje, é uma mancha de vergonha da esquerda brasileira.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A inclinações gráficas e ideológicas</strong></p>
<p>Uma das principais características da literatura dita pós-moderna é colocar em xeque a realidade, rompendo a fronteira entre fatos que aconteceram daqueles que se passaram apenas na imaginação do autor. A estratégia de misturar esses elementos tanto funciona para emprestar um peso de veracidade à ficção, como também serve para questionar as construções discursivas da História, que muitas vezes ocultam as ideologias inerentes a quem faz esses relatos, jogando nova luz aos eventos importantes para a formação da sociedade.</p>
<p>A tática vem servindo para confecção desde best-sellers como <em>O código Da Vinci</em>, <em><a href="http://www.vacatussa.com/2008/10/o-cacador-de-pipas-khaled-hosseini/">O caçador de pipas</a></em> e os romances de <a href="http://www.vacatussa.com/tag/jo-soares/">Jô Soares</a> à literatura de autores importantes como <a href="http://www.vacatussa.com/tag/luis-fernando-verissimo/">Luis Fernando Verissimo</a>, <a href="http://www.vacatussa.com/tag/autran-dourado/">Autran Dourado</a>, Umberto Eco e o Prêmio Nobel <a href="http://www.vacatussa.com/tag/jm-coetzee/">J.M. Coetzee</a>. Essa linhagem, denominada metaficção historiográfica pela estudiosa canadense Linda Hutcheon, ganha um novo exemplo com a publicação do romance <em>Elza, a garota: a história da jovem comunista que o partido matou</em>, que já pelo título se insere na classificação.</p>
<p>Seu autor, o jornalista Sérgio Rodrigues usa os conhecimentos de repórter para fundamentar o livro num episódio nebuloso e pouco conhecido da História brasileira. Sob a encomenda da editora Nova Fronteira para recuperar e tentar esclarecer a rápida trajetória da jovem Elza Fernandes na década de 1930, o autor mergulhou numa pesquisa espinhosa de seis meses, que lhe oferecia os riscos de dados desencontrados e registros contaminados pelos tons ideológicos da época.</p>
<p>Afinal, o trabalho aborda um momento-chave da História política do país e que, ainda hoje, é uma mancha de vergonha da esquerda brasileira. Sérgio Rodrigues reconta como a jovem interiorana Elza Fernandes, de 16 anos, tornou-se namorada do secretário-geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), o Miranda, e terminou sendo estrangulada pelo Partido após o fracasso da tentativa de golpe contra o governo de Getúlio Vargas, que ficou conhecida por Intentona Comunista. Nesse percurso, o autor ainda retrata os momentos que precederam a Revolta Vermelha de 35, os dias em que as lideranças do PCB estiveram presas – a partir de relatos, documentos e publicações como as <em>Memórias do Cárcere</em> de Graciliano Ramos – e procura explicar como cresceu a suspeita de traição sobre o então principal dirigente do Partido.</p>
<p>Sérgio Rodrigues, no entanto, faz uma distinção no uso dessas informações. A barreira entre realidade e ficção se instala no romance com a delimitação imposta pelo escritor de trazer os bastidores e suas impressões da pesquisa em itálico, no início dos capítulos; enquanto a narrativa inventada aparece em seguida já com a inclinação das letras corrigida.</p>
<p>Embora a fronteira entre os dois tipos de discurso seja física, elas terminam se aproximando pelo uso que a parte ficcional faz dos fatos históricos citados pelo ex-militante comunista Xerxes ao jornalista Molina, contratado para escrever as memórias do velho. Dessas conversas surgem bons momentos, como as analogias de Xerxes sobre a composição da memória com o trabalho de um arqueólogo e suas divagações sobre as diferenças entre direita e esquerda.</p>
<p>Além desses encontros, a narrativa acompanha a rotina de incertezas profissionais e amorosas do repórter, um quarentão que namora uma estudante vinte anos mais nova e deseja que seus escritos tivessem durabilidade maior que um dia. E é justo aí que o livro desanda, distanciando-se do relato histórico ao adotar um tom burlesco que se assemelha ao humor dos romances de Luis Fernando Verissimo, mas se revela incompatível com a urgência, peso e seriedade do tema.</p>
<p>Ainda assim, a publicação de <em>Elza, a garota</em> tem sua importância por surgir num oportuno momento, em pleno vigor do Governo Lula. O livro acaba exercendo o papel de rediscutir a esquerda numa época em que as questões de governo têm se sobreposto aos ideais ético-partidários. Uma associação prevista pela própria narrativa, durante uma passagem em que Molina assiste a um discurso do presidente Lula pela televisão.</p>
<p>Thiago Corrêa<br />
lido em Out. de 2009<br />
escrito em 27.01.2010</p>
<p><strong>: : TRECHO : :</strong><br />
“Ah, Freud. Esse artigo que você tem nas mãos nunca me saiu da cabeça. Compara o trabalho do psicanalista ao do arqueólogo, que depois de dois ou três caquinhos esparsos tem que reconstruir, digamos, uma urna grega inteira. Como ele faz isso? Preenchendo as lacunas com sua imaginação. Ele se arrisca nesse trabalho, claro, e em alguns momentos chuta mesmo, chuta desvairadamente.” (pp. 80-81).</p>
<p><strong>: : FICHA TÉCNICA : :</strong><br />
Elza, a garota: a história da jovem comunista que o Partido matou<br />
Sérgio Rodrigues<br />
Nova Fronteira<br />
1a. edição, 2009<br />
238 páginas</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.vacatussa.com/2010/02/elza-a-garota-sergio-rodrigues/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Diomira e o Coronel Carrerão - Ivana Arruda Leite</title>
		<link>http://www.vacatussa.com/2010/02/diomira-e-o-coronel-carrerao-ivana-arruda-leite/</link>
		<comments>http://www.vacatussa.com/2010/02/diomira-e-o-coronel-carrerao-ivana-arruda-leite/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 00:35:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Corrêa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>

		<category><![CDATA[2009]]></category>

		<category><![CDATA[Ivana Arruda Leite]]></category>

		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>

		<category><![CDATA[literatura infantil]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.vacatussa.com/?p=1692</guid>
		<description><![CDATA[<img src="http://www.vacatussa.com/wp-content/uploads/2010/carrerao2.jpg">
Autor pernambucano vira o personagem coronel Nonato Carrero, que distrai a solidão maltratando os empregados.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Inversão de papéis</strong></p>
<p>De escritor a personagem. Acostumado a exercer a condição de autor e criar suas próprias histórias, <a href="http://www.vacatussa.com/tag/raimundo-carrero/">Raimundo Carrero</a> agora assume uma outra função na literatura: deixa de ter o controle sobre a narrativa para ficar sujeito às ideias de outro inventor. Algo que ele já vinha experimentando ao atuar no teatro e no recente curta-metragem <em>A minha alma é irmã de Deus</em>, mas desta vez a transição se torna mais simbólica por acontecer numa obra que foge ao universo criativo do escritor, longe da participação direta do pernambucano.</p>
<p>A figura de Carrero – sujeito com voz de trovão, gestos largos e conversa abundante - foi transformada em personagem pela autora paulista Ivana Arruda Leite no livro infantil <em>Diomira e o Coronel Carrerão: a Sherazade do Sertão</em>. Além da menção nominal já presente no título e da dedicatória ao pernambucano, a referência ao escritor também aparece nos desenhos do ilustrador Fê, que retrata Carrero com o mesmo semblante corpulento, de rosto redondo, barba e cabelos brancos.</p>
<p>Mas as semelhanças param por aí. Na edição, publicada pela Brinque-Book, o autor de <em><a href="http://www.vacatussa.com/2008/11/o-amor-nao-tem-bons-sentimentos-raimundo-carrero/">O amor não tem bons sentimentos</a></em> vira o coronel Nonato Carrero, que vive na Fazenda Bela Vista de uma cidade do Norte do país, distrai a solidão maltratando os empregados, devorando pelo menos dez pratos durante a refeição e mais meia dúzia de doces na sobremesa. Apesar do trabalho árduo e da má fama do coronel, a jovem Diomira se candidata à vaga de cozinheira e passa a sofrer com as exigências do Carrerão.</p>
<p>Na intenção de arrumar um tempinho longe do fogão, Diomira resolve usar a tática da Sherazade em contar histórias para amansar o humor e o apetite do patrão. A narrativa, nesse ponto, ramifica-se em outras tramas. Embora não chegue às mil e uma da personagem do Oriente, Ivana Arruda Leite usa parte do seu acervo de histórias que ela vem colecionando desde a infância, quando passava o tempo ouvindo os casos contados por sua tia Augusta.</p>
<p>São fábulas, algumas com enredos de príncipes e bruxas, outras envolvendo assombrações e pessoas normais. Em comum, elas trazem lições de moral, defendendo valores como a honestidade, o amor, a sinceridade e o jeito simples da vida interiorana em contraponto à ambição humana tão em evidência nas metrópoles.</p>
<p>Autora experiente, com participação em mais de duas dezenas de coletâneas e outros seis livros publicados, Ivana Arruda Leite consegue domar a estrutura fragmentada do volume com sua prosa fluente, fazendo com que as histórias contadas por Diomira sirvam para discutir valores morais nesse momento de ganância coletiva. Bom, ao menos com o Coronel Carrerão, a estratégia deu certo.</p>
<p>Thiago Corrêa<br />
lido em Jan. de 2010<br />
escrito em 28.01.2010<br />
reescrito em 31.01.2010</p>
<p><strong>: : TRECHO : :</strong><br />
“Nonato Carrero, também conhecido como coronel Carrerão, famoso por sua rabugice, era um homem ríspido e de poucas palavras. Vivia sozinho na Fazenda Bela Vista, maltratando os empregados e botando para correr quem dele se aproximasse.” (p. 06).</p>
<p><strong>: : FICHA TÉCNICA : :</strong><br />
Diomira e o Coronel Carrerão: a Sherazade do Sertão<br />
Ivana Arruda Leite<br />
Ilustrações: Fê<br />
Brinque-Book<br />
1a. edição, 2009<br />
48 páginas</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.vacatussa.com/2010/02/diomira-e-o-coronel-carrerao-ivana-arruda-leite/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Pawana - J.M.G. Le Clézio</title>
		<link>http://www.vacatussa.com/2010/02/pawana-jmg-le-clezio/</link>
		<comments>http://www.vacatussa.com/2010/02/pawana-jmg-le-clezio/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 00:29:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Corrêa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>

		<category><![CDATA[JMG Le Clézio]]></category>

		<category><![CDATA[literatura francesa]]></category>

		<category><![CDATA[literatura infanto-juvenil]]></category>

		<category><![CDATA[Prêmio Nobel]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.vacatussa.com/?p=1679</guid>
		<description><![CDATA[<img src="http://www.vacatussa.com/wp-content/uploads/2010/pawana2.jpg">
Temas comuns ao autor francês, como a busca pelas origens e a relação conflitante entre diferentes povos, voltam nesta obra.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Sob a mira de predadores</strong></p>
<p>No universo da literatura mundial o topo que um escritor pode chegar é vencer o Prêmio Nobel, mas pelo menos no Brasil isso não tem significado necessariamente uma confirmação de notoriedade e sucesso editorial. O vencedor de 2008, o francês <a href="http://www.vacatussa.com/tag/jmg-le-clezio/">Jean-Marie Gustave Le Clézio</a>, ainda continua engatinhando no processo de consquista dos leitores brasileiros. Pouco-a-pouco, porém, seu nome vai preenchendo as prateleiras das nossas livrarias, onde já era possível encontrar os títulos <em>A quarentena</em> (1997, Companhia das Letras), <em>Peixe Dourado</em> (2001, Companhia das Letras) e o de memórias <em><a href="http://www.vacatussa.com/2009/04/o-africano-jmg-le-clezio/">O africano</a></em> (Cosac Naify, 2007).</p>
<p>Quase um ano depois da decisão da Academia Sueca, aparece por aqui o infanto-juvenil ilustrado <em>Pawana</em>, que sai pela Cosac Naify com tradução de Leonardo Fróes. Nesse volume, questões inerentes à obra de Le Clézio retornam como que para justificar a sua escolha para esses tempos de Nobel, onde os critérios literários parecem ficar em segundo plano, atrás da biografia do autor e sua postura política. Nesse contexto politicamente correto, o francês representa o reconhecimento da Academia Sueca à problemática da imigração e as consequências dos equívocos da colonização. Nascido na França em 1940, Le Clézio mantém uma estreita relação com as Ilhas Maurício, terra natal do seu pai que no passado foi dominada pela Holanda, França e Inglaterra.</p>
<p>Essas marcas biográficas se traduzem na fixação do autor por temas presentes no livro, como a busca pelas origens, a relação conflitante entre pessoas de diferentes gerações e a tensão envolvendo a dominação de povos na colonização. Ainda que seja voltado para o público infanto-juvenil, <em>Pawana</em> (publicado originalmente em 1992) consegue lidar de maneira contundente com essas caraterísticas ao tratar da história de John, um marinheiro aposentado que relembra sua infância e a época em que embarcou no navio Léonore, comandado pelo capitão Charles Melville Scammmon.</p>
<p>A trama é narrada pela alternância das memórias desses dois personagens. John se encerrega de alimentar o livro com seu olhar poético, revelando fascínio pelos relatos ouvidos na ilha de Nanunteck sobre um lugar escondido no oceano onde as baleias têm seus filhotes. Scammon, por sua vez, dá tons dramáticos a essa busca, inserindo elementos de ganância e ameaça de revolta dos marinheiros.</p>
<p>Em meio às duas visões, Le Clézio mostra um mundo em que as relações humanas são movidas pela fome de riquezas materiais. Por trás dessa história aparentemente despretensiosa, que nos remete às narrativas de pirata e ao clássico <em>Moby Dick</em> de <a href="http://www.vacatussa.com/tag/herman-melville/">Herman Melville</a>, o autor francês denuncia os abusos da época da colonização, como a escravidão e a destruição ambiental. Questões que ainda permanecem atuais, basta observamos o fracasso nas últimas discussões em torno do aquecimento global, justificado para não prejudicar os interesses comerciais das grandes potências.</p>
<p>Thiago Corrêa<br />
lido em Dez. de 2009<br />
escrito em 24.12.2009<br />
reescrito em 19.01.2010</p>
<p><strong>: : TRECHO : :</strong><br />
“Depois os índios foram morrendo, um depois do outro, de doenças, de tantas bebedeiras, ou em brigas nas espeluncas de Boston e de Bedford. Morreram de frio na neve das sarjetas, morreram no mar perseguindo as pawanas gigantes, morreram de tuberculose nos asilos.” (p. 21).</p>
<p><strong>: : FICHA TÉCNICA : :</strong><br />
Pawana<br />
J.M.G. Le Clézio<br />
Tradução: Leonardo Fróes<br />
Ilustrações: Guazzelli<br />
Cosac Naify<br />
1a. edição, 2009<br />
64 páginas</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.vacatussa.com/2010/02/pawana-jmg-le-clezio/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Refrão da fome - J.M.G. Le Clézio</title>
		<link>http://www.vacatussa.com/2010/02/refrao-da-fome-jmg-le-clezio/</link>
		<comments>http://www.vacatussa.com/2010/02/refrao-da-fome-jmg-le-clezio/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 11:09:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Corrêa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>

		<category><![CDATA[2a. Guerra Mundial]]></category>

		<category><![CDATA[guerra]]></category>

		<category><![CDATA[JMG Le Clézio]]></category>

		<category><![CDATA[literatura francesa]]></category>

		<category><![CDATA[Prêmio Nobel]]></category>

		<category><![CDATA[romance]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.vacatussa.com/?p=1677</guid>
		<description><![CDATA[<img src="http://www.vacatussa.com/wp-content/uploads/2010/leclezio2.jpg">
Le Clézio volta a usar lembranças familiares como combustível da sua ficção, aventurando-se agora na trajetória da mãe.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>História em pequenos fatos do cotidiano</strong></p>
<p>Publicado pouco antes do francês Jean-Marie Gustave Le Clézio ser anunciado como vencedor do Prêmio Nobel, em 2008, o romance <em>Refrão da Fome</em> traz de maneira sutil, mas sufocante, as questões da literatura do autor francês. Sua origem paterna das Ilhas Maurício reaparece no livro através do interesse pela discussão sobre identidade a partir da relação entre pessoas na condição de estrangeiros. A sensação de deslocamento, no entanto, não se impõe apenas em referência à origem geográfica, mas também à diferença de idade ou mesmo à postura política.</p>
<p>A exemplo de <em><a href="http://www.vacatussa.com/2009/04/o-africano-jmg-le-clezio/">O africano</a></em>, Le Clézio volta a usar em <em>Refrão da Fome</em> lembranças da família como combustível da sua ficção, aventurando-se agora na trajetória da mãe. Ele apresenta uma narrativa no período entre guerras, acompanhando a decadência de uma família natural das Ilhas Maurício que vive em Paris. Mas, o que poderia ser mais uma recriação de história real sobre a Segunda Guerra Mundial, ganha novos atrativos pela forma encontrada pelo autor na hora de estruturar a narrativa.</p>
<p>O pulo do gato está na escolha da menina Ethel para conduzir a trama. É através da sua percepção infantil que percebemos as mudanças vividas pela Europa, com seu olhar ingênuo tentando entender a ascensão do comunismo e as ideias propostas pelo chanceler alemão Adolf Hitler, até então questões ainda envolvidas pela névoa da proximidade histórica. Os assuntos primeiro surgem no campo das ideias, a partir das discussões ocorridas durante as festas promovidas pelo pai de Ethel. A menina passa a anotar trechos dessas conversas em seu diário, que, embora guardem o tom despretensioso de passa-tempo, servem como um retrato daquela época instável de ferveção ideológica.</p>
<p>Algo que só será, de fato, esclarecido após a invasão dos alemães à França. Com a dominação dos nazistas, a família de Ethel começa a sentir na pele o significado do projeto de Hitler, sofrendo com a escassez de alimentos e a privação da liberdade, além de assistir à degradação humana e ao aumento da xenofobia. Apesar da importância histórica dos fatos, as transformações sociais dessa época aparecem como detalhes da trama, relatadas à distância. A guerra em si surge de relance através de um breve relato de Laurent, namorado de Ethel que lutou como soldado numa operação ao norte da França. A questão da caça aos judeus também é vista de relance, por meio do incômodo de Laurent em relação ao silêncio no apartamento de sua tia, que fora levada para a prisão de Drancy.</p>
<p>As transformações políticas ocorridas na Europa da época servem quase como uma metáfora da vida de Ethel. Na narrativa, essas modificações decorrentes da ascensão do nazismo e o surgimento do comunismo são contadas em paralelo ao difícil processo de amadurecimento da personagem. Aparecem enquanto Ethel desenvolve uma relação de amizade com a garota russa Xénia, sofre a perda do seu querido tio-avô, descobre o amor com Laurent e vive o drama da decadência financeira de sua família, que perde quase todo patrimônio, inclusive as amizades, após sucessivos negócios fracassados do pai de Ethel. A partir desse círculo familiar, fazendo sutis relações entre os personagens e a situação da França, Le Clézio conduz o rumo da Europa que a História revelou como trágico.</p>
<p>Thiago Corrêa<br />
lido em Dez. de 2009<br />
escrito em 24.12.2009<br />
reescrito em 19.01.2010</p>
<p><strong>: : TRECHO : :</strong><br />
“O silêncio em Paris no mês de junho. Após a efervescência, os rumores, e depois aquelas bombas que caíram sobre a capital ao acaso, e as sirenes da defesa passiva, as correrias das famílias pelos porões, o retorno à superfície das crianças encarvoadas por pelotas de coque, as disparadas pelos corredores do metrô – o barulho das bocas sobretudo, os comentários, as narrativas, os prognósticos, as manchetes da imprensa” (p. 155).</p>
<p><strong>: : FICHA TÉCNICA : :</strong><br />
Refrão da fome<br />
J.M.G. Le Clézio<br />
Tradução: Leonardo Fróes<br />
Cosac Naify<br />
1a. edição, 2009<br />
248 páginas</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.vacatussa.com/2010/02/refrao-da-fome-jmg-le-clezio/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
	</channel>
</rss>
