Hospício – Alexandre Furtado

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Na Hospício sussurram manchas

De uma falência à mostra onde já

houvera algum indício de vida melhor,

 

nesta hora, o calor exaure as faces

de quem passa, um clima às avessas

desprovido de ameno calendário

 

Na Hospício, o espartilho é apertado

como uma camisa-de-força na cintura

que estreita o que na cabeça apodrece

 

as esgalhadas árvores com braços cobertos

de negra poeira, a dor da ruína imposta

pelo abandono contínuo e corrosivo

 

Na Hospício tem-se a impressão de um eterno

ato falho que descobre o abismo das coisas

um caos insuportável, em vez de sombras

 

um deserto enlouquecido que talvez devolva

a condição da morte como pele da vida

e reafirme a precariedade dos dias

 

Alexandre Furtado nasceu no Recife-PE, 1970. Professor de Literatura da UPE, coeditor da revista do IHAGP e da Encontro do GPL. Tem contos publicados em: Recife conta o Natal II (2008), Suplemento Cultural Pernambuco (2011). É colaborador do site INTERPOÉTICA e autor do livro De Ruas e inti-nerários (Cepe, 2010).

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