Menos, não

0

“Eu escrevo para que meus amigos me amem mais”, dizia Gabriel García Marquez. Lembrei da frase porque outro dia estava escrevendo e pensando se meus amigos teriam interesse em ler aqueles textos. E, se lerem, gostarão? Mais que isso: serão honestos sobre o que acharam?

Essa reflexão terminou me fazendo mudar algumas coisas no conto que eu estava trabalhando na hora, porque pensei que meus amigos não gostariam de ler algo tão meloso. Mas o que eu podia fazer se estava com uma tendência às fofices naquele dia?

Terminou que perdi um tempo pensando sobre o que motiva as pessoas ao meu redor à leitura e, quando vi, estava na hora de sair para trabalhar e o conto ficou lá, na metade. E aí eu decidi que tudo bem os meus amigos não me amarem mais por causa do que eu escrevi. Só não me amem menos, por favor.

Compartilhe

Sobre o autor

É jornalista e, há mais de uma década, desenvolve paralelamente projetos de literatura. Cursou a oficina literária do escritor Raimundo Carrero, tem textos publicados em suplementos literários, sites e na coletânea Recife conta o Natal, editada pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife, em 2007. Ajudou a fundar, em 2004, o coletivo literário Vacatussa que, desde então, tem se dedicado a estimular, analisar e divulgar a produção dos escritores. Participou, na condição de convidada, de eventos como o Festival a Letra e a Voz e a Fliporto. Como jornalista, escreveu o livro-reportagem Subversivos: 50 anos após o golpe (Cepe, 2014).

Comente!