O metal de que somos feitos – Walther Moreira Santos

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[learn_more caption=”PRÓLOGO” state=”open”]

ometaldequesomosfeitosAutor: Walther Moreira Santos (Vitória de Santo Antão-PE). Já publicou mais de 20 livros, entre eles Um certo rumor de asas (2000), Helena Gold (2003) e O ciclista (2008), com o qual venceu o José Mindlin de Literatura.

Livro: O metal de que somos feitos foi o vencedor do primeiro Prêmio Pernambuco de Literatura pela região da Zona da Mata. O livro reúne 12 contos e uma novela seriada em pequenos capítulos.

Tema e Enredo: O metal de que somos feitos ora usa a História como a matéria-prima, ora segue pelo caminho da ficção científica, ora pela violência. O tema central do livro são os efeitos da brutalidade da vida provocados nos indivíduos.

Forma: Uso de perspectivas diferentes, finais arrebatadores e universos incomuns para criar sensações de surpresa e de desconfiança.

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Entortado pelos golpes da vida

A citação de Bernard Shaw usada como epígrafe do livro O metal de que somos feitos é um bom indicativo do que os leitores vão encontrar nas 13 histórias subsequentes: “A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos e afia-nos, conforme o metal de que somos feitos”. Ao virar as páginas desse novo título de Walther Moreira Santos, nos deparamos com uma série de indivíduos contorcidos pelo peso da vida. O enquadramento temático da obra é constante, os contos nos levam ao estado de transformação causado por histórias de traições, amores frustrados, morte e injustiças geradas pelo desequilíbrio de forças econômicas e bélicas.

Não é que haja necessariamente um processo de mudança do personagem durante os contos, as histórias ocorrem num momento posterior, o ponto de partida já é o da tragédia acontecida. Em sua maioria, os seres que habitam os contos de O metal de que somos feitos já se encontram derrotados, magoados e corrompidos, clamando por vingança ou convenientemente acomodados em suas posições, apesar de carregarem certa culpa. Quando há viradas, elas acontecem como desfecho e não como meio, são reações a uma situação, a uma mudança de rumo, que acabam por criar, não necessariamente uma solução, mas outro tipo de problema.

Por esse viés, temos acesso à vida de pessoas sem grandes perspectivas, à falta de esperanças. É filho que abandonou a família, dona de cabaré que tropeçou numa paixão, ex-detento que se contentou com o trabalho num hotel suspeito, velho que de repente começa ser saqueado por sua cuidadora. Nesse tom constante de desesperança, Walther Moreira Santos consegue manter o espírito dos seus leitores renovados, propondo a cada conto uma espécie de diferenciação, ainda que se mantenha nos horizontes da temática.

Para isso, em vez de firulas linguísticas, ele aposta na diversificação da matéria-prima usada para construir suas histórias. Nos dois primeiros contos (Beleza e Herança), o autor ergue a narrativa em cima de conflitos históricos. Na narrativa seguinte o caminho é o de uma ficção científica distópica, depois entra nos conflitos familiares e amorosos até chegar ao conto A mecânica celeste com seus elementos fantásticos.

A matéria-prima muda, as ferramentas mudam, mas a desilusão permanece, como uma condenação acatada pelos personagens. Diante da aceitação, o conflito cede espaço para as sombras geradas pela culpa, pela inveja, pelo arrependimento. Um bom exemplo disso é o conto Aula Magna, onde um duelo entre um professor de esgrima traído e seu aluno. Apesar da óbvia tendência pela ação, o que fica é o sabor amargo da dor do professor.

Nesse aspecto, a coerência temática desafia o autor, que encontra na estratégia de iluminar suas histórias por perspectivas diferentes (a exemplo do conto Beleza, que trabalha os conflitos entre romanos contra os hebreus pelo olhar de um carpinteiro que fabrica cruzes para a crucificação), de finais arrebatadores (Evidência e Família) e de universos incomuns (N’Os campos do Senhor) para criar nos leitores sensações de surpresa e de desconfiança.

No entanto, nem sem essas mudanças resultam em bons resultados. Talvez pela pressa em dar conta dos prazos do concurso, o livro apresenta sinais de que precisava um tempo mais de gaveta. Isso se evidencia bem no conto Equação e na história que fecha o livro e corresponde a quase 40% do volume total de páginas. Ambos se revelam imaturos e destoam do restante do livro. Neles, os acontecimentos da narrativa se desprendem, o inusitado vira um tropeço pela falta de profundidade dos seus conteúdos (caso da roleta russa) e pelos caminhos gerados, mas que acabam sendo descartados ao longo da narrativa (casos do interesse do personagem pelo hospital, do estranhamento da sua irmã).

Lido em abril de 2014

Escrito em 05.05.2014

[author][author_image timthumb=’on’]http://www.vacatussa.com/wp-content/uploads/2014/03/Thiago-Corrêa-Foto-de-Ale-Ribeiro-3.jpg[/author_image] [author_info]Thiago Corrêa

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Currículo: Jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela UFPE.

Relação com o escritor: Apenas em contatos para entrevistas. [/author_info] [/author] [/learn_more] [learn_more caption=”FICHA TÉCNICA” state=”close”]

O metal de que somos feitos

Walther Moreira Santos

Editora: Cepe

1ª edição, 2013

145 páginas

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“Quanto aos romanos, comem, vomitam, fornicam e vão encomendando cruzes. Apesar dos pesados impostos, prosperamos. Pode-se notar que meu pai, um homem que nunca sorriu, apesar do ‘fim dos tempos’, está satisfeito. Os romanos não só mandam para a cruz seus escravos, o mais sensato é revendê-los no mercado ou para as minas de cobre.” (p. 16. Conto: Beleza)

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Revisão

O livro merecia uma revisão mais atenta. Logo no seu início, a abertura do conto Beleza já revela um erro de coerência lógica. Ao longo da leitura, outros erros são encontrados, de concordância, de digitação.

Capa

A capa do livro está mais para um livro religioso ou de autoajuda do que para uma obra de ficção que tem a brutalidade desencadeada pela vida como tema.

Pobre

Assim como os outros títulos publicados pelo Prêmio Pernambuco de Literatura, a edição de O metal de que somos feitos é pobre, não traz nenhum comentário ou análise sobre a obra. Não há prefácio, introdução nem posfácio, a orelha se resume a uma breve biografia do autor e a contracapa se limita a trazer um trecho do livro.

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Sobre o autor

Jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela UFPE, onde desenvolveu pesquisa sobre narrativa em literatura eletrônica. É um dos fundadores do Vacatussa, integrou a equipe do programa de rádio Café Colombo, passou pelas redações dos jornais Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco.

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