Pó de Lua – Clarice Freire

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PRÓLOGO

Autora: Clarice Freire nasceu no Recife-PE, em 1988. É formada em publicidade.

Livro: O livro reúne material inédito e faz uma seleção das mensagens gráficas criadas pela autora e publicadas no blog e Facebook Pó de Lua. O projeto gráfico preserva as características dos blocos moleskines com as pontas arredondadas.

Tema e Enredo: Desde pensamentos sobre a vida, a saudade, a solidão, o tempo, o amor; a reflexões sobre pequenos detalhes como o telhado, a lua e a chuva.

Forma: As mensagens são desenvolvidas dentro de uma proposta gráfica, onde as palavras atendem a uma preocupação visual.

CRÍTICA

O livro Pó de lua é resultado de um trabalho iniciado pela pernambucana Clarice Freire em 2011, quando passou a publicar seus aforismos gráficos no blog e na fanpage homônimos. Com mais de 1 milhão de curtidas, a página no Facebook chamou a atenção da editora Intrínseca e levou as mensagens de Clarice Freire para o papel. Publicado em agosto de 2014, a obra entrou no ranking dos mais vendidos na categoria de autoajuda do Publishnews e se encontra na 7ª posição do ranking da Intrínseca, que concentra best-sellers como Extraordinário de R. J. Palacio, Destrua este diário de Keri Smith, A culpa é das estrelas e outros títulos de John Green.

Com um projeto gráfico que reproduz o acabamento dos blocos moleskines (com suas pontas arredondadas) e preserva o aspecto visual dos aforismos de Clarice Freire, dispondo-os cada um em uma página; o livro se revela um produto bem feito, prazeroso de se manusear. Uma sensação que não se limita à embalagem, o conteúdo também é visualmente bonito, o traço de Clarice Freire é leve, os uso de tons pastéis dão um ar nostálgico semelhantes às tirinhas Macanudo de Liniers e o diálogo que ela propõe entre texto e imagem quase sempre produzem um efeito visual interessante. Além de mensagem, o texto assume o papel de sua própria ilustração.

O recurso, porém, não chega a ser uma novidade. Trata-se de uma prática antiga, que remete a Antiguidade e a produção de caligramas. A diferença, contudo, é que em Pó de Lua o aspecto visual é trabalhado apenas em cima de um senso estético, como um adorno. Enquanto que, na poesia visual, por exemplo, a imagem é encarada como um elemento comunicativo, as palavras formam imagens que dialogam com a própria mensagem construída por elas. Não é um complemento, a imagem participa da essência da mensagem.

Os aforismos gráficos de Clarice Freire são uma espécie de logotipo que facilmente poderiam embelezar cartazes, estampar camisetas e capas de caderno. Agradam visualmente, mas não se impõem como signo comunicativo além da ornamentação imagética. O que nos leva a observar com maior atenção o texto em si, já que é ele quem deveria sustentar os adornos. Sob esse peso, a leitura revela reflexões sobre a vida, mensagens edificantes, maneiras de encarar desafios sempre por uma perspectiva positiva, mostrando que mesmo situações de solidão (p. 81) ou morte (p. 76-77) devem ser vistas com tons de aprendizado. Em outros momentos, os aforismos lembram obras como Mania de Explicação e Pequeno dicionário de palavras ao vento de Adriana Falcão, no modo como constrói novos significados para termos gastos como despedida, telhado, expectativa e silêncio.

Independentemente do valor dessas mensagens, o problema é que o apoio dessas mensagens não é o texto. A beleza não está no trabalho com a palavra (na maneira como a autora combina as palavras, no uso do recurso da rima ou mesmo na construção do próprio sentido do texto), mas na ornamentação visual. O texto é trabalhado apenas como um recurso comunicativo e parece só atingir um efeito estético enquanto imagem, não como linguagem verbal.

Obs: É preciso fazer uma ressalva em relação a esta crítica. O livro Pó de Lua da pernambucana Clarice Freire chega à minha estante como um ponto fora da curva, com sua catalogação de “técnicas de autoajuda” e seus aforismos gráficos construídos com palavras desenhadas, ilustrações e coloridos. Como sou um mero estreante no terreno da autoajuda, acho melhor avisar que esta crítica corre o risco de cometer um grave erro, que seria o de buscar algo na obra que simplesmente foge a sua proposta. Mais especificamente, o erro aqui talvez seja o de analisar o livro sob a expectativa de buscar algo de literário numa obra situada no campo da autoajuda.

Lido em setembro de 2014
Escrito em 12.09.2014


Relação com a escritora: Apenas entrei em contato com a autora para viabilizar a entrevista para o Vacatussa e para o Café Colombo.

FICHA TÉCNICA

Pó de lua
Clarice Freire
Editora: Intrínseca
1ª edição, 2014
192 páginas

TRECHO

 

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EPÍLOGO

Lua: O livro foi estrutura em quatro partes que são batizadas com as fases da Lua.

Família: Clarice Freire é filha do escritor Wilson Freire e prima de Marcelino Freire.

LEIA TAMBÉM

Entrevista

Entrevista de Clarice Freire ao Vacatussa (setembro de 2014)

Links relacionados

Blog da autora: Pó de Lua

 

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Sobre o autor

Jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela UFPE, onde desenvolveu pesquisa sobre narrativa em literatura eletrônica. É um dos fundadores do Vacatussa, integrou a equipe do programa de rádio Café Colombo, passou pelas redações dos jornais Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco.

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