Raiar – Helder Santos

1
[learn_more caption=”PRÓLOGO” state=”open”]

Autor: Helder Santos nasceu no Recife, em 1976, e passou parte de sua infância nos Estados Unidos. Formado em Design Gráfico pela UFPE, trabalhou em Angola, fez mestrado na Espanha e hoje mora em São Paulo. Atua como diretor de arte, ilustrador e gravurista. Raiar é seu livro de estreia.

Livro: Raiar é um romance de 340 páginas, lançado em 2013 pela editora Edith, de São Paulo. Cada capítulo é ilustrado com gravuras do próprio autor. O livro tem prefácio de Xico Sá.

Tema e Enredo: O romance se desenrola em uma cidade inventada do Sertão pernambucano, onde diversos personagens têm suas vidas entrelaçadas em uma trama permeada pela tragédia.

Forma: O romance é dividido em 23 capítulos, narrados pelos próprios personagens, em um formato fragmentado, no qual as histórias vão se conectando aos poucos.

[/learn_more]

[learn_more caption=”CRÍTICAS” state=”open”]

Raiar, romance de estreia do designer, ilustrador e escritor Helder Santos, penetra nas brenhas de um Sertão moderno. A cidade inventada de Soledade, em Pernambuco, tem moto, celular, quadrinhos, rock e Guerra nas Estrelas. Mas não importa, é Sertão. Continua a ser, portanto, lugar de desmandos, de política suja e hereditária, de briga entre famílias, de filhinho de papai, de matador de aluguel, de ingenuidade e romantismo. É lugar híbrido, onde moderno e arcaico se misturam, em palco fértil para tragédias.

O livro possui uma narrativa fragmentada, não linear, que se revela aos poucos, em pílulas. À primeira impressão, pode parecer um livro de contos, pois cada capítulo possui uma história fechada, na maioria das vezes, narrada em primeira pessoa por um dos nove personagens. Com o correr das páginas, esses relatos vão se cruzando e se somando para formar uma trama instigante e bem construída. É como se o autor fosse comendo pelas beiradas para, logo adiante, surpreender o leitor, amarrando as pontas dessa costura.

A escrita de Helder é feita de frases curtas, tem ritmo, carregada de uma oralidade com sotaque. Seus personagens falam como povo, usam gírias, expressões, jeitos e associações típicas do interior pernambucano. São multifacetados, ambiciosos, frios, vingativos, corruptos, sonhadores, sensíveis. Eles mesmos se apresentam ao leitor, expondo reflexões que em alguns momentos parecem elaboradas para seu contexto, poéticas até.

O romance é escrito então sob esses vários pontos de vista, contado através de múltiplas vozes, em um texto que é sempre muito imagético. Longas cenas descritivas, quase gráficas, diálogos ágeis e fluxos de consciência se alternam.

As ilustrações, gravuras em preto e banco que antecipam cada capítulo, foram criadas pelo próprio autor e funcionam como pequenas pistas, uma introdução não literal ao que virá: histórias de personagens marcantes, mergulhados no negrume desse Sertão pictórico. Terra de política coronelesca, tráfico de drogas, influência do dinheiro, desgoverno, hipocrisia, desesperança e solidão.

Porque Sertão continua a ser lugar de povo mítico, infortúnios e belas histórias – como no Raiar de Helder. “Na casa do presente, o passado é visita espaçosa, bagunceira, não quer ir embora. O presente não consegue botar ele pra fora e só quer arrumar a bagunça com a visita do futuro, mas o futuro não vem”, diz Tuca Ferroada, personagem de Soledade.

Lido em setembro de 2014

Escrito em 21.09.2014

[author] [author_info]Joana Rozowykwiat é jornalista e uma das fundadoras do Vacatussa.

[/author_info] [/author] [/learn_more] [learn_more caption=”FICHA TÉCNICA” state=”close”]

Raiar

Helder Santos

Editora: Edith

1a edição, 2013

340 páginas

[/learn_more] [learn_more caption=”TRECHO” state=”close”]

“Deus adora desapontar a gente quando inventamos de fazer uma previsão. Debochar de nossa presunção de querer mais felicidade do que nos foi cabido. Acreditar que vai ter alegria pra até depois de amanhã. Julgar que podemos sonhar de ser feliz pra sempre. Mas felicidade acaba é logo.É num estalo. É explosão. No fim termina em cacos. Porque felicidade não é destino, é momento, lembrança. Depois que teve, tu guarda contigo em uma caixinha. Leva lá dentro e esconde pra ninguém ver. Felicidade não é destino duradouro. Destino é raiva, rancor, vingança. O mundo é feito mesmo de ruindade. Por isso eu sou ruim, e meu destino é ferroar.”, (Sebastião Ferroada, p. 289)

[/learn_more] [learn_more caption=”OUTRA OPINIÕES” state=”close”]

Diogo Guedes, no Jornal do Commercio, em 3 de outubro de 2010

(http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/literatura/noticia/2013/10/03/helder-santos-lanca-romance-com-visao-do-seu-sertao-moderno-99751.php)

“A cidade inventada de Soledade é um sertão urbanizado. Com Raiar, há a impressão de que, culturalmente, tudo pode mudar, desde que permaneçam a violência, desigualdade e corrupção.”

[/learn_more]
Compartilhe

Sobre o autor

É jornalista e, há mais de uma década, desenvolve paralelamente projetos de literatura. Cursou a oficina literária do escritor Raimundo Carrero, tem textos publicados em suplementos literários, sites e na coletânea Recife conta o Natal, editada pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife, em 2007. Ajudou a fundar, em 2004, o coletivo literário Vacatussa que, desde então, tem se dedicado a estimular, analisar e divulgar a produção dos escritores. Participou, na condição de convidada, de eventos como o Festival a Letra e a Voz e a Fliporto. Como jornalista, escreveu o livro-reportagem Subversivos: 50 anos após o golpe (Cepe, 2014).

1 comentário

  1. Pingback: Dossiê: Novos autores de Pernambuco - vacatussa

Comente!