Nascer – Cesar Cardoso

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o ovo é o câncer da galinha. a galinha é o passado da canja. a canja é o efeito colateral da gripe. a gripe é o escritório do termômetro. o termômetro é o símbolo fálico do suvaco. o suvaco é uma axila que não tem erudição. a erudição é um cachorro sem mato. o mato é o cabelo da terra. a terra é o apartamento da minhoca. a minhoca é o desejo do peixe. o peixe é o homem da água. a água é uma invenção da sede. a sede é uma fome em forma de líquido. o líquido é uma forma de liquidação. a liquidação é a literatura do extermínio. o extermínio é o gozo do poder. o poder é o sorriso da mordida. a mordida é o sexo do dente. o dente é o nocaute do vampiro. o vampiro é o vôo da masturbação. a masturbação é o consumo do sonho. o sonho é a marilyn monroe do sono. o sono é o provisório do eterno. o eterno é a desculpa esfarrapada de deus. deus é o almoxarifado do medo. o medo é o garfo e a faca da coragem. a coragem é o sexto mandamento do cinema. o cinema é o pânico da pipoca. a pipoca é a borboleta do milho. o milho é uma civilização. a civilização é um parto partido ao meio. o meio nunca é igual a seu irmão. o irmão é a diferença da repetição. a repetição é o aprendizado e sua morte. e a morte é o fim botando um ovo

Cesar Cardoso nasceu no Rio de Janeiro-RJ, em 1955. Tem diversos livros infantis publicados e o de contos As primeiras pessoas. Escreveu para a revista Caros Amigos, para os jornais O Pasquim e O Planeta Diário e para programas como TV Pirata, A Grande Família e Sai de Baixo. Edita o blog PATAVINA’S (www.cesarcar.blogspot.com).

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Sobre o autor

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