Sotaque no papel

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Na oficina de criação literária, uma colega muito querida havia dito que gosta de ouvir o meu sotaque em meus contos. E aí hoje eu prestei atenção em como de fato eu tento pôr alguma oralidade na escrita. Um exemplo é nesse trecho abaixo:

“Foi por isso que, quando ele saiu, a gente olhou assim, com aquele orgulho, né? E por isso que, quando mostraram na televisão o povo todo xingando ele, chamando de filho disso, filho daquilo, eu não entendi foi nada. E tome a campainha a apitar, a sala a encher, o telefone a tocar. E a gente bestinha lá, sem compreender o que danado era aquilo. Um coisa tão sem cabimento, sem sentido. Uma hora o homem é o salvador; na outra ficam esculhambando. Ô povo falso, a gente ficou pensando”.

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Sobre o autor

É jornalista e, há mais de uma década, desenvolve paralelamente projetos de literatura. Cursou a oficina literária do escritor Raimundo Carrero, tem textos publicados em suplementos literários, sites e na coletânea Recife conta o Natal, editada pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife, em 2007. Ajudou a fundar, em 2004, o coletivo literário Vacatussa que, desde então, tem se dedicado a estimular, analisar e divulgar a produção dos escritores. Participou, na condição de convidada, de eventos como o Festival a Letra e a Voz e a Fliporto. Como jornalista, escreveu o livro-reportagem Subversivos: 50 anos após o golpe (Cepe, 2014).

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