Tassyla, tão querida

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Uma amiga havia me pedido para ler os contos que estou escrevendo. Eu achei , a princípio, que era por educação, um gesto de simpatia. Mas aí ela insistiu outro dia e eu enviei os textos, meio ansiosa em relação ao que ela acharia, já sabendo que os comentários seriam legais.

Mas eis que, ao invés de um feedback, eu ganhei um presente. As observações que ela fez são tão lindas, tão sensíveis, que valeria nunca serem separadas do texto original.

São apontamentos não só sobre cada um dos contos, mas sobre a vida, a literatura, o universo e tudo o mais. Nem sei se ela vai ficar contente com isso, mas vou colocar aqui abaixo só um trechinho, coisa mais linda do mundo:

“Te confesso que gostei muitíssimo desse final. Eu tenho pensado na função da escrita, no que a gente quer absorver e repassar pro mundo. Nessa época de valorização da crítica e do sarcasmo, quando a realidade já está tão azeda. Acho, e talvez seja ingênuo pensar assim, que a literatura existe não só pra descrever fatos e histórias, mas pra escolher uma maneira de criar a própria história. A ficção é isso: um jeito da gente dizer pro mundo, como o mundo pode ser. E gosto quando leio que o mundo pode ser mais tolerante, com novos olhares sobre velhas implicâncias, e uma certeza de que todo mundo vale a pena, mesmo com suas sombras”.

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Sobre o autor

É jornalista e, há mais de uma década, desenvolve paralelamente projetos de literatura. Cursou a oficina literária do escritor Raimundo Carrero, tem textos publicados em suplementos literários, sites e na coletânea Recife conta o Natal, editada pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife, em 2007. Ajudou a fundar, em 2004, o coletivo literário Vacatussa que, desde então, tem se dedicado a estimular, analisar e divulgar a produção dos escritores. Participou, na condição de convidada, de eventos como o Festival a Letra e a Voz e a Fliporto. Como jornalista, escreveu o livro-reportagem Subversivos: 50 anos após o golpe (Cepe, 2014).

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