“Um dia sonhei que podava a ponta dos dedos…” – Luciana Cañete

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Um dia sonhei que podava a ponta dos dedos
pra pôr na salada do meu marido.
Usava uma faca afiada que cortava
perfeitinho o indicador, o fura-bolo e o anular.
E sentia, no íntimo, uma alegria.

Eu sei me doar, aprendi.
O marido, ainda não o vislumbro.
Mas o dia seguinte passei como
em transe,
a alma leve
com três dedos
a menos.

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Sobre o autor

Nasceu em Porto Alegre-RS, em 1980. Atua como professora e tradutora de espanhol. Publicou o livro "Meu coração bate e às vezes me espanca", poemas nas coletâneas "Relêvo 5 anos" e "29 de abril, o verso da violência" (Patuá).

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