Árvore de Maravilha | Do canto da porta

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Do canto da porta
Aline Arroxelas

Do canto da porta, o gato me espreita.
Com algo de guardião, uma coisa assim
que não sei bem
definir,
ele cobra as minhas escolhas.

O olho do gato me segue
(como me seguem as minhas circunstâncias)
e me dá esse eterno questionamento,
do ser,
do que foi.
Esse olhar, essa ausência felina
É a prova de que falhei.

Porque o gato não me quer por perto,
não senhor,
o gato sabe que eu não garanto nada,
nem mesmo a minha presença.
O gato só me observa.

E eu, meu deus,
Eu me sinto como um passarinho.
Dando mole.

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