Em Desconstrução | Eu acho tão cansativo ler texto em site da Internet…

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Eu acho tão cansativo ler texto em site da Internet…
Mário Lins

Sério, nos meus “favoritos” ali em cima tem uma lista super seleta de endereços eletrônicos que costumo visitar com freqüência. Coisas garimpadas depois de milhares de horas vasculhando esse mar de informações inúteis, umas poucas preciosidades que tornam mais suportáveis aqueles dias sonolentos em que tudo parece mais complicado do que realmente é.

Só que, mesmo assim, às vezes eu não tenho saco de ler nenhum dos meus sites “favoritados”. E olha que todos são interessantíssimos, escritos por medalhões da produção cultural, ou apenas por gente com um senso de humor apurado, mas enfim, com certeza são um passatempo divertidíssimo. Só que essa coisa de ficar sentado aqui nessa sala com ar-condicionado, lendo palavras luminosas e rolando a tela com o mouse não é muito a minha praia. Prefiro pegar um livrão daqueles bem grandes, um copo d’água gelada e deitar na rede da varanda lá de casa. É uma delícia: literatura, ventinho, passarinhos, sombra e água fresca. Pra melhorar, só mesmo estando de férias, pra poder ficar a tarde inteira nessa mamata.

Daí o meu espanto ao te encontrar por aqui, lendo isso. Talvez você esteja sem nada melhor pra fazer, apenas procurando se distrair por alguns minutos antes de voltar para um trabalho chato. Existe uma grande chance de você ser um amigo ou conhecido meu, que está lendo isso aqui mais por obrigação que por vontade, só pra poder comentar mais tarde, quando a gente for tomar uma vodka com tônica lá no Central.

Seja como for, já que você está aqui, vou fazer um esforcinho pra não deixar este texto muito enfadonho. A verdade é que comecei a escrever meio na doida, sem ter escolhido um tema para a coluna, daí vou emendar o papo com uma coisa que está me incomodando já tem um tempinho: há dois anos comecei a escrever um romance. Vai ter gente achando que romance é aquele gênero literário em que a mocinha se apaixona pelo mocinho, mas digo logo que não é nada disso. Romance, literariamente falando, é uma obra de ficção um pouco mais extensa. Não é conto, não é novela… e esta não é uma definição muito objetiva, eu sei, mas estou com preguiça de pesquisar o lado teórico da coisa. Basta dizer que estou escrevendo um livrão, daqueles que gosto de ler deitado na rede lá de casa.

Pois é, não plantei uma árvore nem tenho filho; resolvi começar logo pelo mais difícil. E se você acha que plantar árvore ou fazer filho é mais difícil que escrever um romance, bom, alguma coisa você não deve estar fazendo direito. Olha só, já estou até fazendo piada! Você riu? Deve ter funcionado, foi uma boa sacada. A não ser que você tenha problemas de fertilidade. O que é perfeitamente normal, claro. Se for o caso, eu acabei de fazer papel de idiota com esse comentário. Imperdoável, eu sei. Escrever um livro não parece tão difícil agora, hein? Bom… deixa pra lá. De qualquer modo, me desculpe.

Enfim, como eu estava dizendo, há dois anos comecei a escrever um romance. E comecei sem muito compromisso, escrevendo quando dava vontade, sem prazo certo para acabar. Podia levar um, dois, cinco anos, mas tudo bem. Um dia ia ficar pronto. Só que agora eu olho para trás, vasculhando os arquivos iniciais do romance, e começa a bater uma preocupação. Já se passaram dois anos, e eu escrevi exatamente 26.800 palavras. Pode parecer muita palavra junta para você, mas para um romance eu asseguro que não é. Pode parecer uma preocupação à toa, dramalhão da minha parte, eu até entendo. Mas o problema é que eu sei exatamente para onde levar a história, e só de pensar no que ainda vou ter que escrever, me dá uma angústia terrível.

Sério. Dois anos depois, ainda não consegui introduzir na história a personagem mais importante, aquela que vai interagir com o protagonista de um modo crucial no decorrer dos fatos. E dá um baita medo imaginar a extensão desse livro, já que tem tanta coisa faltando. Em resumo, sinto que estou dando um passo maior que a perna, e agora tenho que tomar cuidado para não levar uma queda feia. Mas quer saber de uma coisa louca? É que, mesmo com essa pressão auto-imposta e com o tamanho do problema que arranjei, eu acho que, se eu conseguir fazer o que estou pensando, ou seja, se eu conseguir escrever esse livro exatamente da maneira que estou imaginando que ele deve ser, não é que o troço vai ficar da porra?

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Sobre o autor

Nasceu no Recife e passava as tardes da infância assistindo a programas de TV japoneses. Mora em São Paulo, onde trabalha com publicidade e escreve nas horas vagas. É fundador do Vacatussa. Comentários: hello@mariolins.com

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