Em Desconstrução | Pseudonarrativa Pra Você

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Pseudonarrativa Pra Você
Mário Lins

Você nem sonhimagina a sorte que teve neste agoramomento, porque por muito-pouco-quase-nadica-de-nada a gente não se encontrava por aqui, travando esse bate-papo, você aí nalgum lugar do futuro-mais-que-perfeito e eu nesta quinta-feira à tarde, dando uns dribles meio entorpecidos no expediente, equilibrando minha pseudonarrativa com ares de mambembe, um palhaçovidente de nariz brilhoavermelhado falafofocando contigo no futuro, e o causomotivo disso é um único só, eu tô sem tempo pra te escrever.

Sem tempo porque não sei privilegipriorizar mais de uma qualquercoisa de cada vez, mergulhatolado em trabalho e nas multidesilusões das pequenas coisas, rabiscodigitando publicitextos desimportantes, dedicando todo meu esforsuor num portfolio que me sirva logo mais, não sei se antes ou depois de você recebeler esse choromingo de novadulto que nem sabe lidar ainda com o receiomedo das escolhas que vão ficando pra longetrás, mas issotudo é só pra você compreentender que foi sorte mesmo a gente se encontrar.

Hoje não tive grandes surpresanovidades, os dias têm um quê de sala-de-espera-de-tudo-que-vem-depois, mas daí falafalaram de você no amanhã querendo conhesaber de mim, e eu pensei com meus borbotões sobre o que te dizer, de repente começar com uma bricolagem de explicomplicações e te sussurrodizer algumas coisas do hoje, esperotalvez que nem sejam mais verdade agora, neste precisexato instante – não o instante em que falescrevo, mas neste em que você escutalê – daí tive uma grandidéia de chegar todo serelepe, meio derrepente, dar um passopulinho gentil com um sorrissorriso no rosto e te felizfalar oi.

É um prazertever, mesmo num tempo futuromaisprafrente, mas na verdade mesmorreal quem teve mais sorte neste encontro fui eu-que-já-sabia-que-ia-mesmo-te-achar, daí foi a razãodesculpa perfeitideal pra deixar os traumatrabalhos em pausaholdstopstandby e fazer uma das qualquercoisas que mais gosto, falaconversar contigo, e aproveitar pra agradecer pela forçajuda que-você-nem-sabia-ainda-até-então-que-ia-me-dar.

Sim, obrigado a você, muito embora a gente possa nunca ter se encontroconhecido, você que eu nem imaginossei quem é, você que eu re-conheço de vista, na veroverdade nem tô sendo tão sincero assim porque você é todos e ninguém, meusamigos, descendentes, você passando de carro ontem pela esquina, você que eu amo, você até que talvez eu deteste, você é qualquerum e todomundo de-uma-só-vez, você é o motivo distotudo, obrigado por estes horaminutos valipreciosos, derrepente você sou eu mais tarde relendo isso aqui (não desista nunca).

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Sobre o autor

Nasceu no Recife e passava as tardes da infância assistindo a programas de TV japoneses. Mora em São Paulo, onde trabalha com publicidade e escreve nas horas vagas. É fundador do Vacatussa. Comentários: hello@mariolins.com

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