eu@teamo.com.br – Letícia Wierzchowski e Marcelo Pires

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[learn_more caption=”PRÓLOGO” state=”open”]

Autores: Leticia Wierzchowski (Porto Alegre-RS, 1972). Tem quatro obras de literatura infantil e 13 romances publicados. Entre eles, destaca-se A casa de sete mulheres, que virou minssérie da Rede Globo em 2003.

Marcelo Pires (Porto Alegre-RS, 1962). É publicitário e autor do livro de poesia Anotações a Partir do Meu Astrolábio (2004) e dos livros infantis Liga-Desliga (1995) e O Menino que Queria Ser Celular (2007), O menino paciente (2007) e O imperdível menino que perdia tudo (2011).

Livro: Publicado originalmente como brinde de casamento dos dois autores, eu@teamo.com.br reúne os e-mails trocados por eles entre dezembro de 1998 e junho de 1999.

Tema e Enredo: História de amor dos autores. A partir dos e-mails trocados pelos autores, o livro conta desde como eles se conheceram até resolverem se casar.

Forma: O livro segue a tradição epistolar, reunindo e-mails trocados pelos autores. O projeto gráfico explora o visual das mensagens do Outlook, preservando a fonte e os cabeçalhos dos e-mails.

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[learn_more caption=”CRÍTICAS” state=”open”]

A crítica nos tempos da internet

leitor diz:

eita, já vi que tá apaixonado…

eu@teamo.com.br diz:

hahahaha. até estou, mas troquei o nick por outro motivo. li um livrinho esses dias que tem esse título eu@teamo.com.br

leitor diz:

hummmm, não conheço. de quem é?

eu@teamo.com.br diz:

eita, peraí que o nome da autora é complicado, leticia alguma coisa…

deixa ver no google…

leticia wierzchowski

leitor diz:

kkkkkkkk

já ouvi esse nome… é aquela gaúcha que escreveu A casa das sete mulheres, que virou minissérie da globo, né?

eu@teamo.com.br diz:

isso!

na verdade, o livrinho foi escrito por ela e o marido, um tal de marcelo pires, que é publicitário, mas já escreveu um infantil chamado Liga-Desliga.

leitor diz:

desconheço. presta?

eu@teamo.com.br diz:

só li eu@teamo.br

leitor diz:

é dele mesmo que estou perguntando. é bom?

eu@teamo.com.br diz:

rapaz, eu gostei. mas também não tem nada demais..,

pra mim foi interessante por causa da minha pesquisa, que é sobre experiências em literatura eletrônica

leitor diz:

ihhhhh, já vi que é cabeçóide

eu@teamo.com.br diz:

oxe, que nada. é até besta, visse?

vc lê num instante. o livro é bem curtinho…

sério mesmo, com esse trânsito, acho que basta uma viagem no CDU-Caxangá-Boa Viagem resolve…

leitor diz:

kkkkkkkk

eu@teamo.com.br diz:

porque, além de ser curtinho, a linguagem é rápida, flui que é uma maravilha

sem onda, acho que vc acaba antes do ônibus chegar na domingos ferreira

leitor diz:

kkkkkkkkkk

já gostei. mas me diz, o livro é sobre o quê?

eu@teamo.com.br diz:

rapaz, o livro na verdade é feito com os e-mails que os autores trocaram quando começaram a se conhecer

leitor diz:

eita, lembrei daquele filme de tom hanks

eu@teamo.com.br diz:

hahaha

é quase isso mesmo, só que a história é real, aconteceu de verdade com eles

o livro, inclusive, primeiro foi publicado pra servir de lembrança pros convidados do casamento dos autores

leitor diz:

porra, isso é o que eu chamo de casamento intelectual

enquanto uns dão havaianas… eles dão livros!

eu@teamo.com.br diz:

hahaha, é mesmo

foi uma sacada fuderosa deles

porque além de ser um presente legal, o livro conta toda a história dos dois

desde o primeiro contato, em dezembro de 98, quando ele manda e-mail pra editora pra falar do primeiro livro dela, O anjo e o resto de nós

até a escolha do buquê que ela usou no casório, em junho de 99

leitor diz:

ownnn

adoro livros fofinhos!

eu@teamo.com.br diz:

frescowwww!!

leitor diz:

kkkkkkkkkk

foi gay mesmo. mas eu gosto, vou fazer o quê?

adoro A máquina de adriana falcão e O pequeno príncipe de saint-exupéry

eu@teamo.com.br diz:

de certa forma, lembra eles mesmo

pelo inusitado, pela lógica infantil dos apaixonados

pela delicadeza, pela leveza do texto

pelo clima despretensioso

mas, ao contrário d’A máquina e d’O pequeno príncipe, não tem uma dimensão crítica, sabe? fica só na historinha de amor

leitor diz:

sim, mas e a internet nisso, o que é que muda?

eu@teamo.com.br diz:

na verdade não tem muita mudança nesse sentido, não

só mesmo o fato das mensagens terem sido enviadas por e-mail

aí a diagramação do livro pega esse gancho, preserva os cabeçalhos no estilo do outlook, a falta de alinhamento da margem esquerda e a fonte

leitor diz:

sei

eu@teamo.com.br diz:

também tem a questão do tempo, né? porque tem dias que eles trocam várias mensagens, coisa que não aconteceria se fosse pelos correios

o que não é de todo mal…

porque a gente acaba conhecendo como é a vida de uma escritora iniciante, que, em meio a sua pesquisa prum romance, precisa fazer um bico como vendedora de imóveis

e a rotina de um publicitário da W/Brasil, com suas reuniões, viagens, festas e a paisagem cinzenta de são paulo

leitor diz:

massa

eu@teamo.com.br diz:

o que, talvez por conta dessa velocidade, faz com que as mensagens sejam menos densas, mais casuais

não tem o peso de um Carta ao pai de kafka, por exemplo

acho que a rapidez do e-mail não deixa muito tempo pra se desenvolver angústias desse nível

nem permite que grandes mudanças ocorram na vida dos autores durante os intervalos das mensagens, sabe?

então, eles se referem mais às besteiras do dia-a-dia e ficam inventando assuntos pra puxar papo…

assim eles registram eventos que passaram por suas vidas como a final do brasileiro entre corinthians e cruzeiro, os ataques dos americanos à bagdá e que acabam contextualizando o livro historicamente

leitor diz:

interessante como o meio usado influencia a linguagem e o conteúdo, né?

eu@teamo.com.br diz:

pois é

pra vc ver, os textos daquela blogueira cubana, yoani sánchez, acabam se diferenciando justamente porque a conexão em cuba é uma porcaria e o acesso a internet é caro

então, como ela escreve em casa, salva o texto e só depois posta, seus textos são mais densos e bem argumentados. não tem aquela pressa que a gente vê nos blogs de política, por exemplo

leitor diz:

o que, no caso de eu@teamo.com.br, é o contrário, né?

eu@teamo.com.br diz:

isso, mas nem tanto

porque esse livro é de 1999 e nessa época a internet não era uma coisa tão acessível e barata quanto hoje, que a gente acessa de qualquer lugar. então os textos ainda tem lá seu grau de elaboração, não são telegráficas

fora que se trata de uma paquera à distância, então um quer impressionar o outro e as únicas armas que eles têm são as palavras

leitor diz:

hummmmm

eu@teamo.com.br diz:

e também tem um pouco dessa coisa do anonimato que a internet permite

leitor diz:

como assim?

eu@teamo.com.br diz:

é que eles não se conhecem quando começam a trocar mensagens

então acabam se envolvendo emocionalmente por ali, pelo texto, pela retórica, pelas palavras…

mas não se conhecem, não sabem como é o outro, se é bonito, feio, cheiroso, fedido, mal educado, gordo, magro…

leitor diz:

que doideira

eu@teamo.com.br diz:

pois é

ela até brinca dizendo que parece ter lido um livro, mas que não sabe qual a capa

a sorte deles é que, pelo menos, tinham uma amiga em comum, que fazia essa ponte e dizia que um não estava mentindo pro outro

leitor diz:

pelo menos isso

eu@teamo.com.br diz:

inclusive essa amiga era aquela martha medeiros, cronista que escreveu o divã

leitor diz:

sei

eu@teamo.com.br diz:

ela, inclusive, escreveu uma crônica sobre o caso.

e eles colocaram um trecho dessa crônica no livro

leitor diz:

massa

fiquei curioso, acho que vai ajudar a passar o tempo no CDU-Caxangá-Boa Viagem

eu@teamo.com.br diz:

hahahaha

agora, o problema é que esse livro tá esgotado

leitor diz:

ixe

eu@teamo.com.br diz:

mas dá pra encontrar em sebo, comprei o meu pela internet

baratinho

leitor diz:

os sebos nos tempos da internet

eu@teamo.com.br diz:

hahahaha

 Lido em Mai. de 2012

Escrito em 06.06.2012

[author][author_image timthumb=’on’]http://www.vacatussa.com/wp-content/uploads/2014/03/Thiago-Corrêa-Foto-de-Ale-Ribeiro-3.jpg[/author_image] [author_info]Thiago Corrêa

———–

Currículo: Jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela UFPE.

Relação com os escritores: Nenhuma. [/author_info] [/author] [/learn_more] [learn_more caption=”FICHA TÉCNICA” state=”close”]

eu@teamo.com.br: o amor nos tempos da internet

Letícia Wierzchowski e Marcelo Pires

L&PM

1a. edição, 1999

85 páginas

[/learn_more] [learn_more caption=”TRECHO” state=”close”]

“Só uma coisa, para fins de identificação, você é loiro, moreno, mulao, azul, ou está verde de tanto peregrinar pelos restaurantes paulistas? Por favor, faça aí um breve resumo da sua pessoa, fisicamente falando. O resto, já imagino, mesmo que de leve. Sabe, isso me parece assim como ler um livro sem ver a capa. Claro, o conteúdo é o que importa, mas a capa sempre enfeita.”, (p. 27)

[/learn_more] [learn_more caption=”OUTRAS OPINIÕES” state=”close”]

Miguel Sanches Neto, na Gazeta do Povo, em 13 de março de 2000

(http://miguelsanches.com.br/publicacoes/detalhes/335/romance_pontocom#.U5czByjihRU).

“A grande marca deste meio de comunicação no estilo do romance é o uso de um verbo conjugado com naturalidade e rapidez. Estamos longe das missivas respeitosas, cheias de vírgulas e palavras medidas. A linguagem é íntima e totalmente doméstica, de modo que eles podem ser diretos e amigos. É um estilo terno e informal desde as primeiras linhas, sendo esta, portanto, a grande característica do livro, nascido do meio utilizado para a correspondência. A rapidez das respostas, dada a urgência que a internet (manejada apaixonadamente) exige, cria também um livro ligeiro, em consonância com as urgências do amor.”

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Obras relacionadas

Carta ao pai – Franz Kafka

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Sobre o autor

Jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela UFPE, onde desenvolveu pesquisa sobre narrativa em literatura eletrônica. É um dos fundadores do Vacatussa, integrou a equipe do programa de rádio Café Colombo, passou pelas redações dos jornais Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco.

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