Star Wars: expectativa que vai além das estrelas

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Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante, em 1977, estreou Guerra nas Estrelas, filme de George Lucas. O sétimo capítulo da saga, O despertar da força, está previsto para dezembro de 2015 – o primeiro teaser foi divulgado, mostrando que J.J. Abrams permanece em domínio dos mecanismos de divulgação e de estratégias de marketing da cultura pop, assim como fez em Lost e Super 8.

A confirmação deste novo título reativa um projeto de cinema que nesses quase 40 anos se expandiu como um big bang: sua força está não apenas no cinema, mas também na televisão, nos videogames, nas animações, nos seriados, nas fanfictions (ficções desenvolvidas por fãs, enredos não oficiais que partem da premissa da série original), no merchandising em geral (camisas, bonecos, jogos) – no imaginário da cultura pop.

No Brasil, a preparação para a nova etapa da franquia acontece com o lançamento do livro Star Wars: a trilogia, pela editora Darkside. A publicação, lançada originalmente em dezembro de 1976, foi escrita por encomenda pelo ghost-writer Alan Dean Foster a partir do roteiro de George Lucas (no verso do livro estava a frase: “Em breve, um filme espetacular da Twentieth Century Fox”). O livro reúne a história da trilogia inicial (iniciada em 1977; depois vieram O Império Contra-Ataca, em 80, e O Retorno do Jedi, em 83).

São filmes que incorporaram aspectos do gênero ficção científica e fundamentaram bases para projetos seguintes; uma trilogia que ajudou a moldar a história do cinema norte-americano e o conceito de blockbuster, o arrasa-quarteirão, iniciado com Tubarão (1975), de Steven Spielberg. “Tubarão e Guerra nas Estrelas são filmes paradigmáticos do processo de mudança que houve na indústria do cinema norte-americana dos anos 1970”, avalia Rodrigo Carreiro, professor de cinema da UFPE.

“O filme de Spielberg mostrou que lançamentos com potencial de marketing extra-filme (lancheiras, camisas) podiam render muito dinheiro. Mostrou também que a época das férias escolares era boa pra gerar bilheteria. Guerra nas Estrelas aguçou essas duas tendências: filmes de temática e com protagonistas jovens, marketing maciço, salas ocupadas, produtos. Em 1978, estava consolidado o conceito de blockbuster, que mudaria o cinema dos EUA para sempre”, explica o pesquisador.

A saga retornou em 1999, com Ameaça fantasma, narrando, através de uma nova trilogia, a formação de Darth Vader, o icônico vilão da história original (vieram, depois, Ataque dos clones, em 2002, e A vingança dos Sith, em 2005). A recepção não foi a mesma, mas incentivou uma nova geração a conhecer os clássicos. “George Lucas teve uma boa ideia, mas não soube exatamente como executá-la”, opina o professor da UFPE Bruno Nogueira.

“Os melhores filmes são os dirigidos por outras pessoas. Quando ele exerce o controle, estraga. Ele fez isso quando alterou os efeitos especiais da trilogia clássica. Fez isso com a segunda trilogia. Uma parte grande do sucesso de Star Wars está em histórias que nunca foram contadas por George Lucas. O retorno da franquia foi importante para dar uma sobrevida à trilogia original. É um pensamento otimista, mas vejo que algumas pessoas interessadas foram atrás dos filmes originais”, ressalta Bruno.

Entre fatores para o fascínio, há duas características: a estrutura narrativa (a clássica jornada do herói: um protagonista aprendiz; um mestre; um interesse romântico; um antagonista) e o deslumbre tecnológico, a concepção visual (naves, sabres de luz, robôs). “O sucesso está ligado ao uso perfeito desses arquétipos de Joseph Campbell. É uma das melhores materializações da trajetória do herói”, destaca o pesquisador Rodrigo Almeida. “Outra coisa instigante: as referências de design das naves, objetos, armas, criaturas. É um universo complexo, que junta pilotos na Segunda Guerra Mundial com mitologias antigas, um futurismo marcado por marcas de épocas e culturas diferentes”, sugere Almeida.

O sétimo filme será dirigido por J.J. Abrams, autor que se firma como a união equilibrada entre produtor e cineasta. “Ele é um cara que tem talento (Super 8 é muito bom), tem uma sensibilidade correta para lidar com temas adolescentes, entende como gerenciar equipes (hoje um diretor atua mais como um executivo que gerencia talentos do que como um artista visionário), tem experiência com franquias e histórias multimídia (criou de séries de TV, de narrativa mais longa e intrincada). E é influenciado por Spielberg e Lucas. Tem o perfil certo”, diz Carreiro.

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Sobre o autor

Jornalista. Escreve sobre literatura e cinema no caderno de cultura do jornal Folha de Pernambuco desde 2009.

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