Lançamento: Dias de febre na cabeça, de Nivaldo Tenório

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A editora carioca Confraria do Vento promove o lançamento do livro de contos Dias de febre na cabeça, do autor de Garanhuns Nivaldo Tenório, às 19h, na Livraria Saraiva do Shopping Recife. A obra foi publicada em 2012, pela editora independente u-carbureto, coordenada pelos escritores Nivaldo, Helder Herik e Mário Rodrigues. “Quando resolvemos publicar nossos próprios foi por dificuldade de acesso a grandes editoras. Não é difícil editar um livro, fazer uma edição bonita. Mas a gente esbarra no grande problema que é a distribuição”, diz Nivaldo.

“Meu livro teve uma repercussão boa. Mas o mais longe que cheguei foi ter um conto meu publicado no [jornal literário de Curitiba]Rascunho. Apesar do acolhimento bom, não consegui sair de Pernambuco. Karla Melo, editora da Confraria do Vento, está certa ao dizer que é um livro que continua inédito para o resto do Brasil. Essa publicação é boa porque é um reconhecimento de algum valor que o livro tem, além de gerar expectativa, por sair de Pernambuco, chegar a outros mercados. Me sinto inédito”, ressalta.

Os textos parecem conectados por ligações existenciais; inquietações e temores unindo enredos, personagens, gestos. “Algumas ideias recorrentes nesse primeiro conjunto de contos são pequenas histórias sobre personagens que vivem no limite”, sugere Nivaldo. “Não é algo determinado por situação financeira ou miserabilidade. São questões existenciais. A ‘doença’ do título está relacionada a um certo estado de espírito. São personagens perdidos. Mas acho que pessimista é uma coisa, derrotista é outra”, destaca o autor.

Os textos indicam as referências literárias de Nivaldo, autores que de maneiras diferentes são incorporados a uma voz pessoal. “Gosto muito de um autor que fala sobre a condição humana, Philip Roth. Seus personagens também estão em situações-limite”, opina. “Algo que sempre me assustou foi a finitude. Estamos fadados a ficar velho e morrer, bruscamente ou lentamente, e isso me incomoda. Então escrevo sobre a condição humana, o fim. Não gosto de literatura que passa mensagens”, ressalta.

Nos 14 contos do livro é possível perceber heranças de narrativas clássicas e de técnicas tradicionais da narrativa curta, em especial de uma espécie de realismo. “Meus contos estão longe do experimentalismo atual. Ninguém vai ler um conto meu e perguntar: ‘O que é isso? É uma carta? Um fragmento de poema?’. Nos meus contos estão claros os elementos do conto, as técnicas. Não gosto daquela frase de Mário de Andrade, que diz que ‘O conto é tudo aquilo que o autor chama de conto’. Escrevo contos que talvez sejam clássicos, próximos da tradição dos contos de [Anton] Tchekhov”, ressalta Nivaldo.

Serviço

Lançamento de Dias de febre na cabeça, de Nivaldo Tenório
Confraria do Vento, 124 páginas, R$ 40
Quando: hoje, às 19h
Onde: Livraria Saraiva (Shopping Recife)

Evento

Na ocasião, serão relançados os livros semifinalistas do Prêmio Portugal Telecom 2014: Estrangeiro no labirinto, de Wellington de Melo; Autópsia do bípede, de Marco Polo Guimarães; Entre moscas, de Everardo Norões; e O aquário desenterrado, de Samarone Lima, além do inédito Apagando um cigarro atrás do outro, de Clodie Vasli.

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Sobre o autor

Jornalista. Escreve sobre literatura e cinema no caderno de cultura do jornal Folha de Pernambuco desde 2009.

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