Nome Próprio | Cheguei!

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Cheguei!
Julieta Jacob

Com 46 cm e 3,270 kg, ela veio ao mundo num parto tranqüilo. Uma cesariana rápida, com data e hora marcadas, como manda o figurino. Sangue pouco, imprevisto nenhum. Assistindo à operação, tudo me pareceu tão simples, que por um momento acreditei ter desvendado o mistério da vida: anestesiou-cortou-abriu-tirou-nasceu-fechou. Pronto. A vida acontece com toda sua beleza. E bem que poderia ser assim mesmo, tão lógico, se entre a seringa e a sutura não houvesse uma vida que desde o primeiro sopro desafiou a lógica da própria Medicina.

Estatisticamente as chances que ela tinha de existir eram muito pequenas, senão nulas. Acontece que, felizmente, esqueceram de avisá-la. Aventureira por vocação, antes mesmo de ser alguém ela derrotou a quase esterilidade da mãe e destruiu um bombardeio feroz de “pílula do dia seguinte”. Inimigos vencidos, hora de montar acampamento. Alugou a barriga de Michelly por nove meses.

Quem começa a vida assim, não pode ter um nome qualquer. Pra essa menina de coragem, Kaylah foi o escolhido. Veio direto do Havaí para Olinda e quer dizer “aquela que gosta de viver”. Sua pele ainda é frágil, seus olhos mal enxergam o mundo. O coração não conhece o amor nem a dor, a alegria nem o sofrimento. A boca também não conhece a fala, mas assim que aprender, Kaylah vai ter que me contar o sabor que a vida tem.

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