Nome Próprio | Nome do cão!

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Nome do cão!
Julieta Jacob

Nunca gostei de bicho com nome de gente. Acho esquisito. Fico com a impressão de que tem uma pessoa embutida ali dentro, disfarçada de animal. E aí minha imaginação vai longe, dá até um certo medo. Já pensou? Além do mais, acho desnecessário. Por que escolher um nome “humano” se você tem Rex, Totó, Bingo, Belle, Nina e tantos outros? Pra mim, quando recebe um nome próprio, o animal perde um pouco da irracionalidade. E assim não dá: bicho é bicho e gente é gente, cada um no seu canto.

Mas compreendo que a solidão humana é capaz de nos conduzir a situações inevitáveis. E que na falta de uma companhia, seja de filho, marido ou amigo, um bichinho de estimação pode perfeitamente preencher esse vazio. Com nome de gente, melhor ainda. Só não dá pra negar que é um pouco desagradável encontrar um cachorro com o um nome igual ao seu, não é mesmo? Dependendo da raça, pior ainda. Minha sorte é que isso realmente não me preocupa. Julieta já é um nome raro em gente, quanto mais em bicho?!

É tão difícil conhecer uma Julieta, aliás, que tenho na memória todas as que encontrei em 25 anos de vida: apenas duas!! (minha bisavó e minha mãe não contam). A última, eu conheci em Brasília. Domingo à tarde, almoço na casa da madrinha de uma amiga. Eu me apresento e a dona da casa diz: “Julieta? Que coincidência! Temos uma xará sua aqui!”. Foi amor à primeira vista. Assim que ouviu meu nome, a outra Julieta deu um salto e veio me buscar na porta, talvez por achar aquele momento tão especial quanto eu. Me levou até o sofá, sentou do meu lado. Eu fiquei feliz com a recepção calorosa, mas não esperava tanto. Lá pelas tantas, ela começou a me alisar. Umas carícias meio tímidas, mas insistentes, encostando a cabeça no meu braço de mansinho. Achei simpático e retribuí com um sorriso e um cafuné ligeiro. Mas o clima esquentou de repente e ela começou a me lamber. Assim, afobada. Fiquei surpresa com aquela intimidade explícita em tão pouco tempo. Frenética, insaciável! O jeito foi pegar a coleira. Eita cadelinha danada, essa Julieta…

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