Revista #1 | O Textículo – Tássia Spinelli

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O Textículo
Tássia Spinelli

Digo a você, a mim foi solicitado, e em tom mais seco de código linguístico, aconteceu breve.. escrever este texto. Como uma permissão, posso entrar? Tive que pegar lápis e papel, suscitar ambientes e emoções. Escorri então das entrâncias de meus dedos tribulações enérgicas que passassem entre longíquos pensamentos. Do sangue minha mente em água e sal, norte do corpo ao dicionário, exemplar entre seus traumas léxicos exatos.Ao furtar cores desses signos, pareci especial.

E este ar solícito pedido me encantava. Mas o que fazer por não entender palavras? Lá estava eu, no limiar da libertação lírica, vendo meu repertório invadido por espantosas idéias que acabariam (talvez) frustradas em páginas amarelas. Deveras tortuoso fim, pensava, para um qualquer como eu. Sentado. Tomado pela angústia: excitar-me ou sugerir-me?

[Oh, não. De verborragias estou vazio, hesito em escrever, quero me calar.
Mas é preciso. O culto. O peso da insustentável forma, neste momento, o medo da palavra! Vai leve, volta com taquicardia.]

Estranho as linhas enquanto a luz está acesa, e me apago às dores à medida que nem precise fechar os olhos. No entanto vou me levando, até a saída de emergência, a última linha que eu fizer no mundo. E teria que brincar com o ar até formar flocos de neve, em plena gestação da primavera. Se assim quisesse.

Então o preâmbulo foi surgindo, assim, solitário, como um pedaço de estória das jovens retinas da minha vida. Uma partitura de futuras estradas a serem marcadas.

Hipotético demais para um ponto final, era eu enfim dele, e Ele o era.

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