Três cantos fúnebres para o Kosovo – Ismail Kadaré

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Fui conhecer a obra de Ismail Kadaré através da Oficina de Literatura Raimundo Carrero. Abril Despedaçado era o livro adotado, passamos uns seis meses analisando, lendo, relendo e discutindo este livro. Buscamos informações na internet, assistimos sua adaptação para o cinema e até com o tradutor nós entramos em contato.

Quanto mais informações nós tínhamos, mais deslumbrados ficávamos. Tanto pelos personagens e narrativa de Kadaré, quanto pelo universo cultural da Albânia – um país distante da nossa realidade, cheio de tradições esdrúxulas que chegam a fascinar e conquistar nosso respeito. A partir daí, Kadaré se tornou um daqueles poucos autores que basta ter seu nome na capa para despertar a vontade de ser lido.

Três Cantos Fúnebres para o Kosovo é uma aula romanceada de História sobre os Bálcãs. Recheado de tradições e conflitos étnicos, o livro abriga desde a invasão turca até os bombardeios da OTAN, nos oferece maiores informações sobre esta região que pouco sabemos e até desconhecíamos antes da Guerra do Kosovo.

Diante da iminência da invasão turca, os quatro povos – sérvios, bósnios, albaneses e romenos – que brigavam entre si pelo Kosovo vêem-se obrigados a se unir e lutar contra o exército otomano.

Dividida em três partes, a história é contada de diferentes formas. Na primeira o narrador é onipresente, transita entre os dois lados da disputa, explicando todos os interesses envolvidos. São os precedentes e início do conflito. Na segunda é contado o massacre e a fuga dos sobreviventes de Gjorg e outros rapsodos, espécie de cantadores da história gloriosa dos povos. A terceira é narrada por um espírito que ali permaneceu desde sua morte durante a invasão turca. É uma revisão de todos esses anos de conflitos e horrores do Kosovo.

Apesar de todo o seu conteúdo histórico, Três Cantos Fúnebres para o Kosovo não é um livro difícil, é leve, fácil e envolvente. Um bom aperitivo para um estudo mais aprofundado desta região surpreendente.

Thiago Corrêa
lido em Nov./Dez. de 2004
escrito em 12.01.2005

: : TRECHO : :
“Ficaram se olhando por longo tempo, sem dizer uma palavra, tentando engolir as lágrimas. Agora que estavam bem distantes do Kosovo, libertavam-se, por assim dizer, de sua sombra. Talvez a razão desses homens pudesse se iluminar e, depois da razão, a alma.” (p. 69)

: : FICHA TÉCNICA : :
Três Cantos Fúnebres para o Kosovo
Ismail Kadaré
Trad. Vera Lucia dos Reis
Objetiva, 1a. edição
116 páginas

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Sobre o autor

Jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela UFPE, onde desenvolveu pesquisa sobre narrativa em literatura eletrônica. É um dos fundadores do Vacatussa, integrou a equipe do programa de rádio Café Colombo, passou pelas redações dos jornais Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco.

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