Umbigocêntrico | O silêncio que grita

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Existe um silêncio na minha mente. Não é aquele silêncio das ondas do mar, não tem folhas balançando, grilos nem besouros, bêbados ou catadores de lixo. É só o silêncio. E mais nada. Ele fica lá, quieto, na dele. Não faz barulho, não me deixa dormir.

É incandescente, branco, daqueles que não se transformam em carneiros nem algodão doce. É o branco vazio e sem idéias. O nada, insípido, sem cheiro ou vida. Branco feito os olhos de um cego.

Desisto de dormir. Tento cuspir o silêncio, rasgar o branco, pensar em outra coisa. Procuro palavras, tento escrever o silêncio do jeito que está aqui.

Vejo o cheiro do nada se espalhando, invadindo o que resta de memória. Fujo. Tateio o mármore pela névoa. Não tem nome, data, estrela nem cruz. É a lápide e seu silêncio.

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Sobre o autor

Jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela UFPE, onde desenvolveu pesquisa sobre narrativa em literatura eletrônica. É um dos fundadores do Vacatussa, integrou a equipe do programa de rádio Café Colombo, passou pelas redações dos jornais Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco.

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